Rio de Janeiro, 10 de Março de 2026

Policiais civis e delegado são presos por extorsão ligada ao CV

Operação da PF desarticula grupo de policiais envolvidos em extorsão de traficantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro. STF bloqueia contas e criptoativos.

Terça, 10 de Março de 2026 às 14:51, por: CdB

STF bloqueou contas bancárias e criptoativos dos investigados, que tinham movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Federal prendeu um delegado e outros dois policiais civis na manhã desta terça-feira, desarticulando um núcleo composto por agentes públicos acusados de usar uma delegacia para extorquir dinheiro de traficantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.

Policiais civis e delegado são presos por extorsão ligada ao CV | Agentes da PF fazem operação contra o crime organizado
Agentes da PF fazem operação contra o crime organizado

Na ação, foram detidos o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Eles trabalhavam na 44ª DP (Inhaúma). Os agentes investigados foram afastados imediatamente das suas funções públicas.

Um dos líderes do CV, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, que já está preso, também foi alvo da ação.

As apurações revelaram que o esquema era liderado pelo delegado e por um policial civil. Segundo as investigações, eles emitiam intimações para coagir e pressionar lideranças do CV, exigindo pagamento de propinas significativas para que ignorassem os atos de ofício.

A inteligência financeira da PF detectou que os investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais.

Cobranças

A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos, ainda de acordo com as investigações. Para receber o pagamento de propina e manter um distanciamento físico dos traficantes, os policiais contavam com a atuação de dois intermediários.

A estrutura criminosa tinha ainda uma rede de empresas de fachada em nome de parentes para promover a ocultação e dissimulação dos valores.

Na ação, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e outros três de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O Supremo ainda suspendeu o exercício de atividades empresariais e bloqueou valores em contas bancárias e de criptoativos de outros investigados na mira da operação da PF.

Em nota, a Polícia Civil disse não compactuar com desvio de conduta e aguarda desdobramento das investigações. Os representantes legais dos investigados presos não foram localizados.

Na segunda fase da Operação Anomalia, a investigação mira as conexões entre agentes públicos e organizações criminosas. Nesta segunda-feira, três pessoas já haviam sido presas. Entre elas, um delegado da própria PF.

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