STF bloqueou contas bancárias e criptoativos dos investigados, que tinham movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Federal prendeu um delegado e outros dois policiais civis na manhã desta terça-feira, desarticulando um núcleo composto por agentes públicos acusados de usar uma delegacia para extorquir dinheiro de traficantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro.

Na ação, foram detidos o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Eles trabalhavam na 44ª DP (Inhaúma). Os agentes investigados foram afastados imediatamente das suas funções públicas.
Um dos líderes do CV, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, que já está preso, também foi alvo da ação.
As apurações revelaram que o esquema era liderado pelo delegado e por um policial civil. Segundo as investigações, eles emitiam intimações para coagir e pressionar lideranças do CV, exigindo pagamento de propinas significativas para que ignorassem os atos de ofício.
A inteligência financeira da PF detectou que os investigados apresentam movimentação patrimonial milionária e incompatível com seus salários. Os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais.
Cobranças
A negociação ilícita ocorria com cobranças incisivas e imposição de prazos, ainda de acordo com as investigações. Para receber o pagamento de propina e manter um distanciamento físico dos traficantes, os policiais contavam com a atuação de dois intermediários.
A estrutura criminosa tinha ainda uma rede de empresas de fachada em nome de parentes para promover a ocultação e dissimulação dos valores.
Na ação, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e outros três de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O Supremo ainda suspendeu o exercício de atividades empresariais e bloqueou valores em contas bancárias e de criptoativos de outros investigados na mira da operação da PF.
Em nota, a Polícia Civil disse não compactuar com desvio de conduta e aguarda desdobramento das investigações. Os representantes legais dos investigados presos não foram localizados.
Na segunda fase da Operação Anomalia, a investigação mira as conexões entre agentes públicos e organizações criminosas. Nesta segunda-feira, três pessoas já haviam sido presas. Entre elas, um delegado da própria PF.