Cinco mandados de prisão e 97 de busca e apreensão são cumpridos no Rio, São Paulo, Goiás e Pará.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira, a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa especializada no roubo e na revenda de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Cinco mandados de prisão e 97 de busca e apreensão são cumpridos no Rio, São Paulo, Goiás e Pará. Até o momento, cinco pessoas foram presas.

Segundo as investigações, o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano e utilizava empresas de fachada para recolocar os produtos roubados no mercado.
A ação é coordenada por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP), com apoio de equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Rede Cargas, do Ministério da Justiça. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens dos investigados.
Segundo a investigação, a quadrilha participou de pelo menos 20 roubos de cargas de medicamentos nos últimos seis meses. Os produtos, de alto valor e destinados ao tratamento de pacientes com câncer e transplantados, eram desviados para uma estrutura criminosa que operava em diferentes estados.
Medicamentos
De acordo com a Polícia Civil, após os roubos, as cargas eram levadas para áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, onde eram armazenadas, separadas e redistribuídas.
A investigação aponta que a facção fornecia proteção armada ao grupo, enquanto outros integrantes eram responsáveis pelo armazenamento, transporte e venda dos medicamentos.
Para ocultar a origem dos produtos, os bandidos utilizavam empresas de fachada, transportadoras, entregadores e ‘laranjas’. A polícia também identificou funcionários de transportadoras que repassavam informações sobre rotas e cargas.
Ao todo, cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre Rio, São Paulo, Goiás e Pará, teriam integrado o esquema de receptação.
A venda chegava a hospitais privados e públicos.
Segundo a DRFC-CAP, os medicamentos roubados eram revendidos tanto para hospitais privados quanto, em alguns casos, para instituições públicas de saúde por meio de processos licitatórios. Como ofereciam preços abaixo do mercado, os investigados conseguiam inserir produtos de origem criminosa na cadeia formal de fornecimento.
A Polícia Civil alerta que, além do prejuízo financeiro, o esquema colocava pacientes em risco. Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem controle rigoroso de temperatura durante o transporte e armazenamento. Quando essa cadeia é interrompida, os remédios podem perder a eficácia ou até se tornar inadequados para uso.
As investigações identificaram ainda o homem apontado como líder da organização criminosa.
Falsificado
Na semana passada, a Polícia Civil realizou uma operação contra um grupo investigado por vender medicamentos falsificados usados no tratamento de câncer. A ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros de Guadalupe e Vista Alegre, Zona Norte do Rio.
Dois responsáveis pela empresa investigada foram levados à delegacia para prestar esclarecimentos. Os agentes apreenderam medicamentos que passarão por perícia.
Segundo as investigações, a empresa oferecia o medicamento Imbruvica 140 mg, indicado para o tratamento de alguns tipos de leucemia e linfoma, a pacientes e hospitais. A apuração teve início após denúncia da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).