Relatório será enviado ao STF e reforça apurações sobre atuação de operador em esquema bilionário.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
A Polícia Federal concluiu que a morte de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” em investigações relacionadas ao Banco Master, foi resultado de suicídio. O inquérito conduzido pela Superintendência da PF em Minas Gerais descartou a participação de terceiros ou qualquer tipo de pressão que pudesse ter levado à morte do investigado.

Segundo reportagem do portal G1, o relatório final será apresentado nesta quinta-feira ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o banco.
Conclusão
De acordo com a Polícia Federal, todos os elementos analisados ao longo da apuração indicam que Mourão agiu por conta própria. A investigação incluiu a análise de imagens que registraram toda a permanência do investigado na cela da PF, além de depoimentos de testemunhas e pessoas próximas.
Os investigadores também examinaram conversas mantidas por Mourão e avaliaram a hipótese de ele estar sob efeito de substâncias psicotrópicas, possibilidade que igualmente foi considerada e descartada.
Em nota sobre o episódio, a instituição havia informado que ele “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais”.
Com a conclusão do inquérito, a tendência é que o ministro André Mendonça encaminhe o material à Procuradoria-Geral da República, que deverá avaliar a possibilidade de arquivamento do caso relacionado à morte.
Apesar do encerramento da investigação sobre as circunstâncias do óbito, as medidas cautelares adotadas contra Mourão permanecem válidas. Entre elas está o bloqueio de bens, mantido com base na avaliação de que os recursos do investigado teriam origem ilícita.
Investigação
Luiz Philipi Mourão foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes financeiras de grande porte envolvendo o Banco Master. Na mesma ação, também foi detido o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização.
Segundo a Polícia Federal, Mourão exercia função estratégica dentro do grupo, sendo responsável por atividades como monitoramento de alvos, obtenção ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação.
O relatório menciona ainda a existência de uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”, indicando que ele atuava como executor de ordens dentro da estrutura criminosa. Os investigadores apontam que ele funcionava como uma espécie de “longa manus”, expressão usada no meio jurídico para designar quem age em nome de terceiros.
As apurações também indicam que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês como pagamento pelos “serviços ilícitos” prestados à organização.
A morte ocorreu em março, enquanto Mourão estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. O episódio levou à abertura de um inquérito específico para apurar as circunstâncias da ocorrência, incluindo eventuais falhas na vigilância ou indícios de coação.
Com a conclusão da investigação, a PF afasta a hipótese de interferência externa e encerra a apuração sobre o caso, mantendo o foco nas demais frentes da Operação Compliance Zero, que seguem em análise no Supremo Tribunal Federal.