Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

PF diz que Vorcaro financiava grupo ligado ao banco Master

Descubra como a PF investiga o banqueiro Daniel Vorcaro e sua suposta estrutura clandestina com policiais, espionagem e ameaças. Leia mais sobre a Operação Compliance Zero.

Sexta, 15 de Maio de 2026 às 12:02, por: CdB

Decisão de André Mendonça descreve estrutura paralela com policiais, ataques cibernéticos, ameaças e repasse de informações sigilosas em favor do banqueiro.

Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que autorizou a sexta fase da Operação Compliance Zero revelou novos detalhes sobre a suposta estrutura clandestina atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a investigação da Polícia Federal, o empresário teria financiado grupos responsáveis por ameaças, espionagem ilegal, invasões cibernéticas e obtenção de informações sigilosas.

PF diz que Vorcaro financiava grupo ligado ao banco Master | Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro

O documento aponta que Vorcaro teria realizado pagamentos classificados pelos investigadores como um “bônus de final de ano” para integrantes de um dos núcleos investigados, conhecido como “A Turma”.

“A autoridade policial destaca que esse pagamento é compatível com o bônus de final de ano que Daniel Vorcaro teria destinado à ‘Turma’”, registra a decisão judicial.

De acordo com a Polícia Federal, a estrutura investigada era dividida em dois grupos distintos com funções específicas dentro do esquema.

O primeiro núcleo, chamado de “A Turma”, seria responsável por ameaças a adversários do banqueiro, intimidações presenciais, coerções e levantamentos clandestinos. Já o segundo grupo, conhecido como “Os Meninos”, atuaria em operações de ataques cibernéticos, invasões de sistemas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.

Segundo os investigadores, os grupos integrariam uma espécie de estrutura paralela de vigilância montada para atender interesses de Vorcaro, que atualmente está preso.

Pagamentos

As investigações apontam que, em dezembro de 2025, Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado e apontado como integrante de “A Turma”, pediu uma chave Pix a Anderson Wander da Silva Lima, policial federal que trabalhava na Delegacia Especial da Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

Segundo a PF, Marilson também atuava diretamente em favor do grupo investigado.

“Marilson realizou pagamento a Anderson, pedindo sua chave pix para enviar uma ‘oferenda’, efetivada no dia seguinte”, aponta a denúncia citada na decisão.

Os investigadores afirmam que Marilson Roseno exercia papel estratégico dentro da estrutura investigada e atuava como operador financeiro de pagamentos supostamente ligados ao esquema.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo liderado por ele também era utilizado pelo pai de Daniel Vorcaro para intermediar demandas por vantagens ilícitas.

Clandestina

A investigação descreve “A Turma” como um núcleo voltado à prática de ameaças, intimidações, levantamentos clandestinos e obtenção ilegal de dados sigilosos.

Segundo a decisão, os integrantes realizavam acessos indevidos a sistemas governamentais e promoviam ações voltadas à proteção dos interesses do banqueiro.

Já “Os Meninos”, segundo os investigadores, seriam especializados em operações digitais ilegais, incluindo invasões a sistemas, derrubada de perfis e monitoramentos clandestinos.

A PF sustenta que a estrutura operava como uma rede paralela de vigilância e inteligência.

A decisão do ministro André Mendonça autorizou medidas cautelares e novos mandados no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, que vem ampliando o alcance das investigações sobre o entorno empresarial e operacional ligado a Vorcaro.

Entre os investigados citados pela Polícia Federal estão agentes da própria corporação, incluindo policiais da ativa, aposentados e uma delegada federal.

Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado, é alvo de mandado de prisão.

Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro, também é alvo de mandado de prisão.

Já a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi alvo de buscas e afastada do cargo, ficando proibida de manter contato com integrantes da Polícia Federal.

O marido dela, Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado, também foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Segundo os investigadores, Valéria e Francisco atuavam no repasse de informações sigilosas para Marilson Roseno da Silva a partir de consultas realizadas no sistema e-Pol, plataforma interna utilizada pela Polícia Federal.

A suspeita é de que informações protegidas da corporação teriam sido utilizadas para favorecer os interesses do grupo investigado.

Jogo do bicho

A decisão do STF também menciona Manoel Mendes Rodrigues, identificado nas investigações como “empresário do jogo” do bicho no Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, ele seria apontado como líder de um braço local do grupo investigado.

A Polícia Federal segue apurando possíveis conexões entre integrantes da estrutura clandestina, agentes públicos e operadores ligados ao setor empresarial e ao crime organizado.

A Operação Compliance Zero é considerada uma das investigações mais amplas conduzidas recentemente sobre infiltração em órgãos públicos, espionagem ilegal e uso de estruturas paralelas para obtenção de vantagens privadas.

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