Rio de Janeiro, 30 de Maio de 2026

PIB se mostra resiliente, mesmo diante da taxa de juros astronômica

O PIB brasileiro mostra resiliência com crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2025, apesar das altas taxas de juros. Descubra os fatores que impulsionaram essa expansão.

Sexta, 29 de Maio de 2026 às 20:34, por: CdB

A marca de janeiro a março, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou aceleração frente à taxa de 0,3% assimilada no quarto trimestre de 2025.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

Mesmo diante de uma das taxas de juros mais altas do planeta, a economia brasileira acelerou no primeiro trimestre deste ano, com expansão de 1,1% frente aos três últimos meses de 2025, no resultado trimestral mais forte desde o ano passado. A agropecuária e a indústria, com o consumo ganhando força em meio a um mercado de trabalho resiliente e medidas fiscais de apoio ao trabalhador, impulsionaram os resultados.

PIB se mostra resiliente, mesmo diante da taxa de juros astronômica | O PIB reúne toda a riqueza produzida pelo país em determinado tempo
O PIB reúne toda a riqueza produzida pelo país em determinado tempo

A marca de janeiro a março, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou aceleração frente à taxa de 0,3% assimilada no quarto trimestre de 2025, ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters, que previa o avanço de 1,0%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB apresentou crescimento de 1,8%, em linha com a expectativa nessa base de comparação. A leitura abrangeu um mês da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro e já afetou a inflação brasileira devido ao aumento dos preços do petróleo com o fechamento do Estreito de Ormuz.

 

Trabalho

Analistas ouvidos pela agência, no entanto, já apontavam uma aceleração da economia no início do ano diante de ganhos na agropecuária e de um mercado de trabalho ainda muito resiliente. Medidas que favorecem o consumo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, também ajudam a sustentar a atividade.

O avanço ocorreu mesmo com o peso do elevado nível de endividamento das famílias, o que levou o governo a lançar o programa ‘Novo Desenrola’, que permite a renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.

O Banco Central (BC), por sua vez, iniciou o afrouxamento da política monetária, já tendo reduzido a taxa básica de juros Selic duas vezes neste ano em 0,25 ponto percentual cada, a 14,50%.

 

Consumo

Do lado da produção, a agropecuária registrou crescimento de 2,0% no primeiro trimestre sobre os três meses anteriores, depois de avançar apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025. A indústria teve alta de 1,0%, recuperando-se da queda de 0,7% no final de 2025 e registrando o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2023.

Mas os serviços — setor que responde por cerca de 70% da economia do país — desaceleraram a expansão a 0,5% no primeiro trimestre, de 0,7% no período anterior. Já do lado das despesas, o consumo das famílias cresceu 1,0% de janeiro a março, acelerando ante a taxa de 0,2% registrada no trimestre anterior.

O aumento do consumo do governo, por sua vez, foi de 0,4%, contra 0,9% no quarto trimestre de 2025. Enquanto isso, a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, avançou 3,5% no quarto trimestre, depois de ter retraído 3,4% no período anterior.

No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,7% após mostrarem expansão em todos os trimestres de 2025, enquanto as importações cresceram 4,4% depois de três trimestres seguidos de retração.

Edições digital e impressa