O dado divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou avanço ante a taxa de 5,4% no trimestre até janeiro e na comparação com os 5,2% do trimestre até novembro.
Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro
A taxa de desemprego no Brasil subiu a 5,8% nos três meses até fevereiro e ficou acima do esperado, em meio à perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção. A força da segunda maior taxa de juros do mundo pressiona para baixo o crescimento econômico e, junto, o mercado de trabalho. O rendimento real dos trabalhadores, no entanto, atingiu novo patamar recorde.

O dado divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou avanço ante a taxa de 5,4% no trimestre até janeiro e na comparação com os 5,2% do trimestre até novembro. Também ficou acima da expectativa em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters de uma leitura de 5,7%. No mesmo período do ano passado a taxa de desemprego havia sido de 6,8%.
Apesar do aumento, atribuído pelo IBGE à perda de vagas comum no início do ano a certos setores, a taxa é a menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica em 2012.
Trimestre
Já o rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu novo recorde de R$ 3.679, aumento de 2,0% contra o trimestre imediatamente anterior e de 5,2% ante o mesmo período do ano anterior.
— O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comércio e serviços — disse a coordenadora do IBGE Adriana Beringuy.
O mercado de trabalho deve continuar resiliente ao longo do ano, de acordo com analistas, ainda que a taxa registre algumas altas depois de atingir mínimas históricas e em meio ao arrefecimento da economia.
Contingente
O cenário tende a sustentar a renda e o consumo das famílias, o que dificulta para o Banco Central (BC) o controle da inflação. Neste mês, o BC reduziu a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, e pregou cautela para passos futuros da calibração da taxa ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
No trimestre até fevereiro, o número de pessoas desocupadas aumentou 10,6% ante os três meses até novembro, mas recuou 14,8% sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a 6,243 milhões de pessoas.
O período foi marcado ainda por queda de 0,8% no contingente de pessoas ocupadas ante o trimestre imediatamente anterior, chegando a 102,145 milhões, mas alta de 1,5% na comparação anual.
Segmentos
Segundo o IBGE, houve no trimestre forte redução de postos de trabalho no grupo Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (menos 696 mil pessoas), além da Construção (menos 245 mil pessoas).
— Nos dois casos há influência de movimento sazonal, sobretudo nos segmentos de educação e saúde, nos quais parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade — concluiu Beringuy.