Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

PF apura suspeitas de fraude e mira diretores da Rioprevidência

Ação da PF apura suspeita de operações financeiras irregulares que colocaram em risco recursos de aposentadorias no Rio.

Sexta, 23 de Janeiro de 2026 às 10:51, por: CdB

Ação da PF apura suspeita de operações financeiras irregulares que colocaram em risco recursos de aposentadorias no Rio.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira a Operação Barco de Papel, no âmbito das investigações que envolvem o Banco Master. A apuração tem como foco diretores do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores inativos do Estado do Rio de Janeiro.

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Rioprevidência

De acordo com apuração da GloboNews, os investigados são gestores do Rioprevidência responsáveis por decisões de investimento que resultaram na aplicação de quase R$ 1 bilhão em produtos financeiros emitidos pelo Banco Master. Ao todo, agentes da Polícia Federal cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal.

Os quatro mandados são contra:

Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente da instituição;

Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos;

Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimento interino; e

A própria Rioprevidência, ou seja, agentes cumprem mandados na sede da instituição.

Segundo a Polícia Federal, a investigação foi iniciada em novembro e concentra-se em um conjunto específico de operações.

“A investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de nove operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”, declarou a PF.

Ainda conforme a corporação, a operação busca “apurar a suspeita de operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia (…) a risco elevado e incompatível com sua finalidade”.

Aplicações sob suspeita

O caso veio a público em novembro, quando o portal G1 revelou que o Rioprevidência havia aplicado R$ 2,6 bilhões em fundos do grupo liderado pelo Banco Master. Os aportes ocorreram ao longo de 2024 e 2025, com base em taxas de retorno consideradas “mais atrativas” do que as oferecidas por outras instituições do mercado.

As aplicações chamaram a atenção dos órgãos de controle. Em maio, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia alertado os gestores do fundo para a existência de “graves irregularidades” nos investimentos. Meses depois, em outubro, o Tribunal voltou a criticar os aportes e determinou uma tutela provisória com apensação, impedindo o Rioprevidência de realizar novas transações com o Banco Master.

A medida teve caráter emergencial e buscou interromper imediatamente as operações, vinculando o caso a uma auditoria mais ampla para apuração de responsabilidades administrativas e eventuais sanções.

– Chega de decisões sem transparência, chega de colocar em risco a aposentadoria daqueles que colaboraram com a construção deste estado – declarou o conselheiro Jose Gomes Graciosa.

Posicionamento do Rioprevidência

À época das primeiras reportagens, o Rioprevidência afirmou que “o valor efetivamente aplicado pelo órgão foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034”. O fundo informou ainda que estava em negociação para substituir esses títulos por precatórios federais.

Apesar da manifestação, o Tribunal de Contas manteve as restrições e seguiu apontando riscos à sustentabilidade do regime previdenciário estadual.

Estrutura dos aportes financeiros

Segundo o TCE, o Rioprevidência utilizava recursos arrecadados por meio de descontos em folha de pagamento dos servidores para aplicar no mercado financeiro, com o objetivo de garantir o equilíbrio atuarial do sistema previdenciário.

Diante das irregularidades identificadas, o Tribunal determinou que o fundo deixasse de investir em instrumentos financeiros emitidos, administrados ou geridos pelo conglomerado do Banco Master, bem como em outras instituições que não atendessem aos princípios de segurança e prudência financeira.

Em maio, o órgão de controle já havia solicitado esclarecimentos detalhados sobre os investimentos. Desde então, os técnicos concluíram que houve agravamento das inconsistências. Até julho, R$ 2,6 bilhões, o equivalente a cerca de 25% de todos os recursos aplicados pelo Rioprevidência, estavam expostos a fundos administrados pelo Banco Master.

Rentabilidade abaixo do mercado

Entre os casos analisados está o aporte de mais de R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, administrado pela Master S/A Corretora. O fundo iniciou suas operações em 18 de dezembro do ano passado e, no dia seguinte, recebeu o primeiro aporte de R$ 50 milhões do Rioprevidência. Desde então, o fundo previdenciário realizou sucessivos investimentos, tornando-se o único cotista.

A rentabilidade média do fundo, de 4,05%, ficou abaixo da poupança, que rendeu 5,47% no mesmo período, e muito distante do CDI, que alcançou 9,31%. Para o Tribunal de Contas, o desempenho reforça a “ausência de vantajosidade” das aplicações.

Os técnicos também identificaram aportes superiores a R$ 300 milhões em letras financeiras sem informações públicas suficientes, operações que funcionam, na prática, como empréstimos a instituições financeiras em troca de juros.

Outro exemplo citado é um investimento de R$ 100 milhões realizado em junho, que se desvalorizou para R$ 75 milhões em apenas um mês. Na avaliação do TCE, episódios como esse “evidenciam uma gestão possivelmente irresponsável dos recursos do regime previdenciário”.

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