“O processo de ‘completar o estoque’ começará muito em breve e é um presente da Venezuela ao povo dos Estados Unidos”, disse Donald Trump.
Por Redação, com Reuters – de Washington
Os Estados Unidos planejam usar o controle recém-assumido sobre bilhões de barris de petróleo bruto venezuelano para recompor a esvaziada reserva de emergência do país, afirmou o presidente Donald Trump neste domingo.

“Uma das coisas que farei com o petróleo venezuelano é reabastecer as Reservas Estratégicas Nacionais”, escreveu Trump em uma publicação na rede de sua propriedade, a Truth Social, na qual culpou Joe Biden, seu antecessor na Presidência, por esvaziar a reserva.
“O processo de ‘completar o estoque’ começará muito em breve e é um presente da Venezuela ao povo dos Estados Unidos”, acrescentou.
Reservas
A reserva estratégica de petróleo, com capacidade superior a 700 milhões de barris, atualmente contém 289,7 milhões de barris de petróleo, ou cerca de 40% de sua capacidade, após retiradas maciças realizadas tanto por Trump quanto por Biden.
Trump afirmou, na sexta-feira, que os Estados Unidos estavam assumindo o controle de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas da Venezuela, em parceria com empresas privadas. Autoridades norte-americanas disseram que o plano criaria a segunda maior empresa privada de petróleo do mundo em volume de reservas e garantiria o abastecimento de petróleo dos Estados Unidos por décadas.
Não está claro com que rapidez a produção venezuelana poderá crescer diante da deterioração da infraestrutura existente, da falta de confiabilidade no fornecimento de eletricidade e de passivos ambientais herdados.
Produção
Empresas como a Chevron estão em negociações para ampliar suas operações na Venezuela, e a Eni SpA afirmou que também está trabalhando com as autoridades venezuelanas para ajudar a reativar a produção. Trump não forneceu mais detalhes sobre como o acordo poderia funcionar, e o Departamento de Energia dos Estados Unidos não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
Analistas afirmam que o petróleo bruto ácido e com alto teor de enxofre produzido na região do Cinturão do Orinoco, na Venezuela, apresenta dificuldades logísticas para ser bombeado até os domos subterrâneos de sal que compõem a reserva norte-americana.
Em janeiro, o Departamento de Energia negou uma reportagem segundo a qual estaria avaliando um plano para enviar petróleo venezuelano a refinarias norte-americanas em troca de petróleo bruto dos Estados Unidos destinado à recomposição da reserva, afirmando que “não estava considerando no momento” essa possibilidade.
Embargo
Os Estados Unidos têm enfrentado dificuldades para recompor sua enorme reserva, criada após o embargo árabe do petróleo na década de 1970, em parte porque o Congresso tem relutado em liberar os bilhões de dólares necessários para financiá-la.
A enorme reserva está em seu nível mais baixo em mais de quatro décadas, enquanto os Estados Unidos dão prosseguimento a um plano, anunciado em março após o início da guerra com o Irã, para liberar 172 milhões de barris dos estoques em coordenação com outros países.
O governo Biden também retirou centenas de milhões de barris por meio de uma série de liberações, inclusive após a invasão da Ucrânia pela Rússia.