Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Mendonça não revela dados sobre Cláudio Castro, nas investigações policiais

No caso mantido em segredo, Mendonça negou em julho um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma segunda operação de busca contra o ex-governador.

Sexta, 25 de Setembro de 2026 às 18:11, por: CdB

No caso mantido em segredo, Mendonça negou em julho um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma segunda operação de busca contra o ex-governador.

Da Redação – de Brasília

Embora tenha atendido à determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e derrubado o sigilo de mais de 50 processos sobre as falcatruas do Banco Master, o ministro André Mendonça manteve sob sigilo as investigações que envolvem o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Ele é suspeito de operacionalizar uma aplicação de R$ 3 bilhões no banco liquidado por meio do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Estado.

Claudio Castro
André Mendonça manteve sob sigilo as investigações que envolvem o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL)

No caso mantido em segredo, Mendonça negou em julho um pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma segunda operação de busca contra o ex-governador. A primeira operação da ‘Compliance Zero’ contra Castro ocorreu em 26 de maio deste ano. Com aval de Mendonça, relator do caso, a PF vasculhou a cobertura onde o ex-governador mora, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.

Todos os dados obtidos na segunda operação, porém, foram acobertados pelo relator, em um processo ainda sigiloso. No ofício, Mendonça diz que não via “justa causa suficiente” para autorizar a medida requerida pela PF, embora houvesse parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Imóvel

A PF levantou que Castro poderia ter usado “outros endereços para ocultar potenciais elementos de prova”, como uma sala comercial no Centro do Rio, onde dias antes se notou uma movimentação atípica de caixas, e um imóvel em Petrópolis (RJ), usado pelo ex-governador para reuniões sociais. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com as medidas, citando “transporte de materiais em circunstâncias suspeitas” e “probabilidade de retenção de documentos e mídias eletrônicas relevantes para a apuração”.

Mendonça, contudo, afirmou que a PF havia feito buscas menos de dois meses antes e que operações policiais não podem ser “instrumentos de varredura ampla, investigação prospectiva ou devassa na vida pessoal e profissional do individuo”.

“Embora descreva circunstâncias que podem ser objeto de apuração por meios ordinários de investigação, não apresenta elementos mínimos suficientes para justificar nova medida de busca e apreensão em relação ao investigado”, escreveu o ministro na decisão. De acordo com as investigações, Castro mantinha um “vínculo próximo” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Edições digital e impressa