Professor e servidor da Polícia Civil do Amazonas foi detido em Manaus após denúncias envolvendo alunas adolescentes; investigação aponta outras possíveis vítimas.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
O treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão, de 47 anos, foi preso pela Polícia Civil do Amazonas na noite de segunda-feira, em Manaus, após ser alvo de investigação por suspeita de crimes sexuais contra alunas menores de idade.

Considerado um dos técnicos mais conhecidos do país na modalidade, ele é investigado por estupro de vulnerável, importunação sexual, ameaça e invasão de dispositivo eletrônico. A prisão ocorreu após denúncia feita por uma ex-aluna de 17 anos, que relatou ter sofrido abusos durante uma viagem internacional para competição esportiva.
A ordem de prisão temporária por 30 dias foi expedida pela Justiça de São Paulo, após solicitação da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável pela investigação.
Investigação
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, durante o andamento do inquérito policial outras duas possíveis vítimas foram identificadas.
As investigações reuniram depoimentos de familiares, troca de mensagens e uma gravação de áudio apresentada aos investigadores. O material passou a integrar o conjunto de provas analisado pela polícia.
Também foram autorizados mandados de busca e apreensão, cumpridos pelas equipes responsáveis pelo caso.
O suspeito se apresentou às autoridades no Amazonas na noite de segunda-feira, quando teve a prisão efetivada.
Polícia Civil
Além de atuar como treinador, Melqui Galvão é servidor efetivo da Polícia Civil do Amazonas, onde trabalhava como instrutor de defesa pessoal no setor de capacitação.
Após a prisão, a corporação anunciou o afastamento cautelar do servidor e informou a abertura de procedimento administrativo disciplinar para apuração interna.
Segundo nota oficial, também será analisada a regularidade do vínculo funcional e possíveis incompatibilidades relacionadas às atividades exercidas fora do estado.
A Polícia Civil afirmou ainda que não compactua com irregularidades e reforçou compromisso com ética, legalidade e transparência institucional.
Até a publicação desta reportagem, a defesa de Melqui Galvão não havia se manifestado publicamente sobre as acusações.
Tentativas de contato foram realizadas por meio de mensagens e ligações para academias ligadas ao treinador em Manaus e Jundiaí, no interior de São Paulo, mas não houve retorno.
O caso segue sob investigação e tramita sob sigilo judicial.
Jiu-jítsu
A prisão gerou ampla repercussão entre atletas, academias e entidades ligadas ao jiu-jítsu.
Nas redes sociais, praticantes manifestaram apoio às denunciantes e cobraram posicionamentos mais firmes das organizações esportivas.
A Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportivo (CBJJE) informou o afastamento imediato do treinador de todas as atividades relacionadas à entidade.
Em nota, a confederação declarou que não há espaço para abuso ou assédio no esporte e destacou medidas voltadas à criação de protocolos de proteção e segurança para atletas.
Trajetória de destaque antes das denúncias
Natural de Manaus, Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira iniciou carreira no esporte enquanto ainda atuava como investigador da Polícia Civil do Amazonas.
Ao longo dos anos, fundou academia própria e ganhou notoriedade ao treinar atletas de alto rendimento no cenário nacional e internacional.
Entre os nomes ligados ao treinador estão competidores como Mica Galvão, Diogo Reis, Brenda Larissa, Thalison Soares e Fabricio Andrey.
Antes da investigação, Melqui era reconhecido como um dos principais treinadores da nova geração do jiu-jítsu brasileiro.