Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Mediadores focam reabertura do Estreito de Ormuz

Mediadores liderados pelo Qatar tentam reabrir o Estreito de Ormuz para restaurar a navegação internacional.

Sexta, 28 de Agosto de 2026 às 10:27, por: CdB

Mediadores liderados pelo Qatar tentam reabrir o Estreito de Ormuz para restaurar a navegação internacional.

Por Redação, com Reuters – de Teerã

Os mediadores na guerra ‌do Irã estão intensificando os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, com Teerã concordando em elaborar uma lista de condições para restabelecer o tráfego normal, depois que um emissário do Qatar pressionou os iranianos a respeitar a liberdade de navegação.

Negociadores priorizam reabrir o Estreito de Ormuz

Com os EUA tendo se retirado das negociações em favor de uma campanha de pressão econômica, o primeiro-ministro do Catar, aliado dos EUA, reuniu-se ⁠com altos líderes iranianos em Teerã na quinta-feira, enfatizando a importância de retornar à situação pré-guerra ‌de navegação aberta por meio de uma via navegável internacional.

Catar e Paquistão ajudaram a intermediar um memorando de entendimento em junho que levou a um cessar-fogo, mas que rapidamente se desfez ‌devido a divergências entre o Irã e os EUA ‌sobre o estreito, que movimentava 20% do abastecimento global de petróleo antes da guerra.

Em sua ⁠missão a Teerã na quinta-feira, o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Qatar, xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou no X que destacou às autoridades iranianas “a importância de respeitar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, de acordo com o direito internacional”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, descreveu na sexta-feira as conversas com Al Thani como “criativas” e ‌renovou seu apelo aos EUA para que parem de exercer pressão militar e econômica sobre seu país ‌e retomem as negociações.

– Colocar a ⁠diplomacia de volta nos ⁠trilhos não é impossível. Depende da compreensão dos EUA de um fato simples: a pressão não funciona – disse ⁠Araqchi no X.

Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do ‌Irã divulgou um comunicado condenando ‌as novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o país, anunciadas na segunda-feira, como “terrorismo de Estado”. O ministério também instou outros países a não aderirem às sanções, afirmando que isso equivaleria a “cumplicidade na imposição da vontade ilegal de um Estado” sobre os demais.

Condições

Depois que EUA e Israel iniciaram a guerra há seis meses, o Irã ameaçou atacar qualquer embarcação que transitasse pelo estreito sem sua autorização, reduzindo o tráfego e elevando o preço do petróleo, o que deu a Teerã uma vantagem nas negociações.

Os EUA querem que o estreito continue sendo uma ‌via navegável internacional aberta.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmou na quinta-feira que o Irã estava preparando uma lista de condições para a reabertura do ⁠estreito.

Falando por meio de um intérprete em uma entrevista à TV Al Manar, Rezaei disse que o Irã havia chegado a um acordo com Omã sobre um corredor de navegação pelo estreito, com partes da rota em águas omanitas e outras em águas iranianas. Os navios utilizariam um canal central designado caso os EUA atendessem às condições do Irã, afirmou ele.

No passado, as condições do Irã incluíram o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, indenização e retirada das sanções. Ainda não ficou claro se o Irã pretendia alterar essas exigências de forma que pudessem ser aceitáveis para Washington.

Teerã e Washington trocaram pouco mais do que declarações belicosas nas últimas semanas, deixando a diplomacia a cargo de terceiros. Trump declarou, em 8 de julho, que o memorando de entendimento de junho estava “acabado” e intensificou os esforços para destruir a economia do Irã.

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