Segundo general Ali Abdollahi, Teerã acompanha de perto a situação e sabe exatamente quais países da região estão envolvidos.
Por Redação, com RFI – de Teerã
A escalada da guerra no Oriente Médio continua provocando tensões tanto no campo militar quanto no transporte marítimo. Nesta quarta-feira, o chefe das Forças Armadas do Irã, general Ali Abdollahi, advertiu os países do Golfo contra qualquer forma de apoio às forças norte-americanas, afirmando que assistência ou apoio logístico ao Exército dos Estados Unidos será considerado uma participação direta nas operações militares de Washington contra a República Islâmica.

Em comunicado divulgado pela agência iraniana de notícias Mehr, Abdollahi declarou que é improvável que o grande número de aeronaves militares norte-americanas, incluindo aviões-tanque presentes em bases da região, esteja ali sem o conhecimento dos governos anfitriões.
Segundo ele, Teerã acompanha de perto a situação e sabe exatamente quais países da região estão envolvidos. O alerta ocorre no momento em que o porta-aviões USS George Washington está sendo enviado ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma campanha de bombardeios contra o Irã. Em resposta, Teerã realizou ataques contra aliados árabes de Washington. Apesar de alguns governos da região terem afirmado que não permitiriam o uso de seus territórios em operações contra o Irã, o comando militar iraniano garantiu estar plenamente informado sobre as movimentações na área.
Ormuz
A guerra também continua afetando uma das principais rotas marítimas do planeta. Dados preliminares divulgados nesta quarta-feira mostram que apenas seis navios atravessaram o Estreito de Ormuz na terça, contra nove no dia anterior e uma média móvel de 11 embarcações nos últimos dez dias. O recuo indica que armadores ainda evitam utilizar essa passagem estratégica.
Antes do início das hostilidades, entre 130 e 140 navios cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz. Como represália aos ataques americanos e israelenses, o Irã fechou de fato a via marítima, por onde passa uma parcela significativa do transporte mundial de hidrocarbonetos.
A interrupção do tráfego provocou uma disparada nos preços do petróleo, que permanecem acima de US$ 90 por barril devido à falta de avanços rumo a uma solução para a crise.
Tanto os Estados Unidos quanto o Irã afirmam controlar a região e continuam trocando ameaças de escalada. Na terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, declarou que não há negociações em andamento nem previstas com o Irã, embora tenha afirmado que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação.
A relevância estratégica de Ormuz se deve à sua localização entre o Irã e Omã. A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano Índico, sendo a única saída marítima da região para o comércio internacional. Todos os grandes exportadores de petróleo da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Iraque e o próprio Irã, dependem dessa rota para escoar a produção de seus portos petrolíferos para os mercados internacionais.
Nesse contexto, as advertências de Teerã aos países do Golfo vão além da esfera militar. Qualquer escalada envolvendo os aliados árabes de Washington pode ter consequências diretas para uma das mais importantes rotas de abastecimento energético do planeta.