Durante discurso, presidente iraniano acusou EUA e Israel de ataques contra civis e criticou atuação internacional em Gaza.
Por Redação, com ANSA – de Nova York
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, criticou os Estados Unidos em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira, e disse que a República Islâmica é vítima de “terrorismo”. Em resposta, a delegação norte-americana abandonou o plenário da ONU.

Pezeshkian iniciou seu discurso exibindo imagens das vítimas de um ataque a uma escola que, segundo ele, teria sido cometido por engano pelos Estados Unidos e por Israel, deixando mais de 100 estudantes mortos.
– Eu tinha preparado um discurso, mas depois que os Estados Unidos nos descreveu como terroristas, tive de mudá-lo. Eles nos acusam de terrorismo, mas eles são os terroristas, alvejando civis e rompendo leis internacionais – disse ele.
Em seguida, completou: “Os Estados Unidos, usando armas com múltiplas ogivas, alvejaram aquele ginásio esportivo. Eles martirizaram, assassinaram nossos cientistas, nossos homens, mulheres e crianças. Crianças inocentes que, na verdade, não haviam cometido crimes, nem pecados”.
O presidente do Irã também mostrou imagens do líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra em um ataque dos EUA. Ao abordar a situação na Palestina, classificou Gaza como “uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional” e afirmou que o território “continua sendo um símbolo do fracasso dos mecanismos internacionais em impedir o sofrimento da população civil”. Segundo ele, enquanto houver “ocupação e injustiça”, a resistência continuará.
Segurança
A segurança de Pezeshkian durante sua passagem por Nova York para a Assembleia Geral da ONU está sendo feita pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos, segundo autoridades norte-americanas ouvidas pela CNN. Outros integrantes da delegação iraniana são protegidos pelo Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado. A operação também conta com agentes de inteligência e detetives da polícia de Nova York e escoltas da polícia rodoviária. A presença da delegação iraniana ocorre em um contexto considerado incomum, já que o país está em guerra com os Estados Unidos.
Paralelamente à Assembleia Geral, autoridades americanas e iranianas mantiveram uma reunião de mais de três horas, segundo o presidente Donald Trump afirmou à imprensa internacional. De acordo com Trump, representantes do Irã conversaram com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, que classificou o encontro como positivo. Autoridades iranianas confirmaram a participação do chanceler Abbas Araghchi e disseram que a reunião foi mediada por diplomatas do Qatar. Trump afirmou ainda que uma nova reunião deve ocorrer em breve.
As negociações também envolvem o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Um funcionário iraniano disse à agência japonesa Kyodo e, posteriormente, à agência inglesa de notícias Reuters, que o país poderia reabrir o estreito em até uma semana caso os EUA adotassem medidas para reduzir a pressão militar e econômica sobre o Irã.
Segundo uma autoridade, a nova posição teria sido aprovada pelo líder supremo Mojtaba Khamenei e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, embora veículos iranianos ligados à Guarda Revolucionária tenham negado que tenha havido uma mudança oficial. O movimento ocorre enquanto diplomatas do Catar tentam aproximar os dois países, embora um encontro entre Pezeshkian e Trump ainda seja considerado improvável.