Rio de Janeiro, 26 de Agosto de 2026

Irã cogita corredor temporário, mas mantém Ormuz fechado

Os iranianos negociam um acordo com Omã para permitir a passagem restrita de embarcações e a retirada de minas.

Quarta, 26 de Agosto de 2026 às 10:53, por: CdB

Os iranianos negociam um acordo com Omã para permitir a passagem restrita de embarcações e a retirada de minas.

Por Redação, com CartaCapital – de Teerã

Omã e Irã estão negociando sobre o estabelecimento de um “corredor temporário” de navegação no Estreito de Ormuz e a retirada de minas da área, mas Teerã advertiu nesta quarta-feira que a passagem estratégica para o petróleo mundial não será reaberta até que os Estados Unidos acabem com a guerra.

Navios petroleiros no Estreito de Ormuz

Os dois países pretendem regulamentar o tráfego na via marítima, que continua bloqueada em grande medida pela República Islâmica e virou um ponto crítico do conflito que se estende por todo o Oriente Médio.

Com a guerra a poucos dias de completar seis meses, Washington intensificou nesta semana a pressão econômica com uma nova rodada de sanções “secundárias”. As medidas não afetam diretamente o Irã, mas atingem seus parceiros comerciais em setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.

Em Mascate, os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã discutiram na terça-feira um acordo para estabelecer um “corredor temporário” em Ormuz, que também prevê uma operação de remoção de minas, segundo um comunicado conjunto.

O chanceler omani, Badr al Busaidi, afirmou na rede social X que espera “anunciar em breve” a nova rota, assim como “as modalidades práticas para restabelecer uma navegação segura”.

As negociações prosseguirão para estabelecer um corredor “permanente” e definir “a futura gestão do estreito”, assim como um mecanismo para “fornecer os serviços de navegação e segurança necessários”, acrescentou.

Seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, indicou na terça-feira, na mesma plataforma, que as negociações com representantes de Omã e Paquistão “ressaltaram as soluções regionais”.

– O marco proposto para um novo corredor, a retirada conjunta de minas e a futura gestão do Estreito de Ormuz são um exemplo perfeito disso – defendeu.

Nesta quarta-feira, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, fez uma advertência a Washington no X: “Antes de qualquer ação destinada a reabrir o Estreito de Ormuz, os Estados Unidos devem cumprir integralmente todos os compromissos que violaram”.

– O Estreito de Ormuz será reaberto apenas em troca do fim da guerra em todas as frentes, da suspensão do bloqueio e de uma solução para a situação no Iêmen, onde combatem os rebeldes houthi, aliados de Teerã – afirmou.

Ele acrescentou que a resposta do Irã às sanções americanas consistirá em “atacar seus interesses econômicos”.

Trump

O presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu em sua plataforma Truth Social que, segundo a Marinha, “todas as minas foram retiradas ou destruídas nas águas internacionais do Estreito de Ormuz”.

– O Irã foi informado que qualquer navio ou embarcação que colocar novas minas (será) (…) destruído – acrescentou.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira a disposição de Washington de “cortar todos os recursos econômicos” da República Islâmica.

No Irã, afetado por décadas de sanções internacionais, longas filas foram observadas na terça-feira nos postos de gasolina de Teerã.

Apesar das informações ainda contraditórias, o preço do petróleo operava em queda de 2% nos mercados internacionais nesta quarta-feira, em um vislumbre de otimismo, com o barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, negociado abaixo de US$ 90.

A guerra começou em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu com ataques aos países aliados de Washington na região e o bloqueio de Ormuz.

Washington, por sua vez, impõe um bloqueio aos portos iranianos.

No centro do conflito, a via estratégica, por onde, antes da guerra, trafegavam 20% do petróleo e gás exportados no mundo, foi praticamente paralisada por Teerã há seis meses. A circulação por esta rota é mínima atualmente.

O conflito provocou uma alta vertiginosa dos preços do petróleo e uma pressão maior sobre Trump nos Estados Unidos, à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato de novembro.

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