Rio de Janeiro, 05 de Março de 2026

Lula critica investimentos em armas e não no combate à miséria

Em discurso na FAO, Lula pede que países priorizem a erradicação da fome em vez de investir em armamentos, criticando o bloqueio a Cuba e a crise no Haiti.

Quarta, 04 de Março de 2026 às 19:34, por: CdB

O presidente também mencionou a situação de países como Cuba, ao criticar o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha.

Por Redação, com ABr – de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um apelo contundente à comunidade internacional, pediu para que os países priorizem o combate à fome e à pobreza ao invés de investir trilhões de dólares em produtos militares. Em seu discurso, na 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, Lula criticou a escalada global de gastos com armamentos e propôs uma mobilização política para erradicar a fome, no mundo.

Lula critica investimentos em armas e não no combate à miséria | O presidente Lula criticou o bloqueio criminoso à Ilha de Cuba
O presidente Lula criticou o bloqueio criminoso à Ilha de Cuba

O presidente também mencionou a situação de países como Cuba e Haiti, ao criticar o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha e apontar a falta de atenção internacional aos haitianos, que enfrentam grave crise social e humanitária.

Para a audiência, integrada por líderes e representantes de governos da região, Lula comparou os recursos destinados à indústria bélica com o número de pessoas que passam fome no planeta. Segundo o líder brasileiro, os valores investidos em armamentos poderiam ser usados para enfrentar o problema da insegurança alimentar.

— Se pegássemos o dinheiro que foi gasto no ano passado em armamentos, conflitos, equivalente a US$ 2,7 trilhões e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que passam fome, daria para a gente ter distribuído US$ 4,28 mil para cada pessoa. Não precisaria ter fome no mundo se houvesse bom senso dos governantes — repreendeu.

 

Bombas

O presidente também fez um apelo direto aos países que integram o Conselho de Segurança da ONU como membros permanentes — França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos — para que priorizem o debate sobre a fome global.

— Se esses senhores, que coordenam o Conselho de Segurança, se preocupassem com esta questão da fome neste instante em vez de ficar discutindo, como agora está se discutindo na Europa, o fortalecimento do armamento dos países, investimentos na defesa… Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos e todo mundo quer mais armas, mais bombas atômicas, mais drones, aviões de caça cada vez mais caros. E tudo isso não é feito para construir, é feito para destruir — acrescentou.

 

Mais paz

Em seu pronunciamento, Lula sugeriu aos líderes das principais potências globais que passem a discutir soluções para os conflitos por meio do diálogo.

— São apenas cinco pessoas, que poderiam fazer uma teleconferência. Não precisaria ninguém correr risco para ninguém ser atacado por drone à noite, para ninguém ser vítima de mísseis. Poderia ser feita uma teleconferência para fazer uma discussão muito clara se o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz — protestou.

Ainda sobre a crise humanitária pela qual passa o povo cubano, o presidente também mencionou diretamente o impacto de sanções econômicas sobre a Ilha. Para ele, o país enfrenta dificuldades alimentares não por incapacidade produtiva, mas por restrições externas.

— Cuba não está passando fome porque não sabe produzir, porque não sabe construir a sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas a que todo mundo deveria ter direito — concluiu.

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