Ivanir dos Santos afirma que ala sobre conservadorismo questionava a corrente ideológica, não a fé, e alerta para risco de banalizar conceito de intolerância.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A polêmica em torno do desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí ganhou um novo capítulo após acusações de que uma das alas da escola teria praticado preconceito religioso. A agremiação, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser alvo de críticas, especialmente por parte de setores conservadores.

Em meio ao debate, o babalawô Ivanir dos Santos, conhecido ativista dos direitos humanos e da liberdade religiosa, saiu em defesa da escola. Segundo o líder religioso declarou à coluna de Ancelmo Gois, no diário conservador carioca O Globo, a controvérsia está sendo conduzida de forma equivocada.
– Vejo com preocupação a tentativa de transformar o desfile da Acadêmicos de Niterói em um caso de intolerância religiosa contra evangélicos – afirma. “O carnaval sempre foi um espaço de crítica social, simbólica e política. A ala que vem recebendo críticas questionava uma corrente ideológica contemporânea, não a fé de ninguém.”
Crítica ideológica
A ala questionada fazia referências a grupos associados ao neoconservadorismo. Para Ivanir, é fundamental distinguir crítica política de ataque religioso.
Segundo ele, o conservadorismo não está vinculado a uma única tradição de fé. “Ele atravessa a história, a política, a cultura e a espiritualidade. Criticar visões de mundo não é atacar crenças. Quando confundimos essas coisas para fins políticos, corremos o risco de banalizar o conceito de intolerância religiosa e enfraquecer a luta de quem realmente sofre violência por sua fé, especialmente as religiões de matriz africana.”
A fala do babalawô reforça a leitura de que o desfile utilizou elementos simbólicos típicos do carnaval para provocar reflexão social, tradição presente na história das escolas de samba.
Liberdade religiosa e liberdade artística.
Ivanir dos Santos, que há décadas atua na defesa da liberdade de culto no Brasil, destacou que o debate precisa preservar valores constitucionais.
O babalawô diz que a liberdade religiosa é um valor que ele defende há décadas:
– E ela caminha junto com a liberdade artística e com o direito da cultura popular de provocar reflexões sobre a sociedade em que vivemos.