Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 2026

Líder religioso nega intolerância em desfile que homenageia Lula

Ivanir dos Santos esclarece que críticas ao conservadorismo no desfile da Acadêmicos de Niterói não são intolerância religiosa, mas uma reflexão social.

Quinta, 19 de Fevereiro de 2026 às 14:21, por: CdB

Ivanir dos Santos afirma que ala sobre conservadorismo questionava a corrente ideológica, não a fé, e alerta para risco de banalizar conceito de intolerância.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A polêmica em torno do desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí ganhou um novo capítulo após acusações de que uma das alas da escola teria praticado preconceito religioso. A agremiação, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser alvo de críticas, especialmente por parte de setores conservadores.

Líder religioso nega intolerância em desfile que homenageia Lula | A ala “Neoconservadores em Conserva” ironizou a família tradicional formada por homem, mulher e filhos e desagradou o público cristão
A ala “Neoconservadores em Conserva” ironizou a família tradicional formada por homem, mulher e filhos e desagradou o público cristão

Em meio ao debate, o babalawô Ivanir dos Santos, conhecido ativista dos direitos humanos e da liberdade religiosa, saiu em defesa da escola. Segundo o líder religioso declarou à coluna de Ancelmo Gois, no diário conservador carioca O Globo, a controvérsia está sendo conduzida de forma equivocada.

– Vejo com preocupação a tentativa de transformar o desfile da Acadêmicos de Niterói em um caso de intolerância religiosa contra evangélicos – afirma. “O carnaval sempre foi um espaço de crítica social, simbólica e política. A ala que vem recebendo críticas questionava uma corrente ideológica contemporânea, não a fé de ninguém.”

Crítica ideológica

A ala questionada fazia referências a grupos associados ao neoconservadorismo. Para Ivanir, é fundamental distinguir crítica política de ataque religioso.

Segundo ele, o conservadorismo não está vinculado a uma única tradição de fé. “Ele atravessa a história, a política, a cultura e a espiritualidade. Criticar visões de mundo não é atacar crenças. Quando confundimos essas coisas para fins políticos, corremos o risco de banalizar o conceito de intolerância religiosa e enfraquecer a luta de quem realmente sofre violência por sua fé, especialmente as religiões de matriz africana.”

A fala do babalawô reforça a leitura de que o desfile utilizou elementos simbólicos típicos do carnaval para provocar reflexão social, tradição presente na história das escolas de samba.

Liberdade religiosa e liberdade artística.

Ivanir dos Santos, que há décadas atua na defesa da liberdade de culto no Brasil, destacou que o debate precisa preservar valores constitucionais.

O babalawô diz que a liberdade religiosa é um valor que ele defende há décadas:

– E ela caminha junto com a liberdade artística e com o direito da cultura popular de provocar reflexões sobre a sociedade em que vivemos.

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