Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Justiça determina transferência de TH Joias para presídio federal

Ex-deputado e outros quatro acusados são apontados pelo MPF como integrantes de organização criminosa que teria usado estruturas do poder público para favorecer atividades ilegais.

Sexta, 11 de Setembro de 2026 às 12:18, por: CdB

Ex-deputado e outros quatro acusados são apontados pelo MPF como integrantes de organização criminosa que teria usado estruturas do poder público para favorecer atividades ilegais.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

O ex-deputado estadual Thiago Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Jóias, será transferido para uma penitenciária federal após decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). A Corte também recebeu, na quinta-feira, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-parlamentar e outros quatro acusados de integrar uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV).

Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias

Com o recebimento da denúncia, TH Jóias, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena; e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel passam à condição de réus. As acusações envolvem, em diferentes combinações, crimes como organização criminosa, corrupção, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e munições e contrabando.

Os cinco foram investigados na Operação Zargun, que apurou a existência de uma rede que, segundo a acusação, teria se infiltrado em estruturas do poder público fluminense para favorecer negócios ilegais e integrantes da principal facção criminosa do Rio.

Alerj

De acordo com o MPF, integrantes da organização ocupavam cargos públicos e teriam atuado dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e de secretarias estaduais. A estrutura seria utilizada para obter informações sobre ações policiais, facilitar negócios ilegais e beneficiar integrantes da facção.

Entre as práticas investigadas estão negociações de munições de uso restrito, intermediação da venda de drogas e vazamento de informações sobre operações das forças de segurança.

Relatório da Polícia Federal aponta que a estrutura montada em torno de TH Jóias teria transformado o mandato parlamentar em uma extensão dos interesses do Comando Vermelho. Segundo a investigação, a rede reunia políticos, assessores, empresários, operadores financeiros, policiais e lideranças do tráfico.

As conexões identificadas pelos investigadores se estenderiam da Alerj ao Paraguai, passando por comunidades controladas pelo crime organizado e chegando a estruturas oficiais do Estado.

Bloqueadores

A investigação sustenta que assessores e operadores ligados ao então deputado atuavam para facilitar a compra e a venda de drogas, munições e equipamentos de segurança. Entre os produtos negociados estariam bloqueadores de drones destinados a chefes do tráfico que controlam comunidades cariocas.

Segundo o MPF, o grupo importava clandestinamente bloqueadores de sinal de drones, equipamentos cujo uso é proibido para pessoas físicas e empresas. A acusação afirma que os aparelhos seriam empregados para dificultar o monitoramento realizado pelas forças de segurança durante operações policiais.

A denúncia também atribui aos assessores do ex-parlamentar negociações envolvendo munições de uso restrito, inclusive material proveniente de apreensões policiais, além da intermediação de drogas e da acomodação de indicações da facção no gabinete.

MPF

Conforme a acusação, TH Jóias exercia posição de liderança na atuação da organização dentro da Alerj. O ex-deputado responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas, contrabando de equipamentos, corrupção ativa e comércio ilegal de armas de fogo e munições.

Carracena, que ocupou cargos nas secretarias estaduais da Casa Civil e de Defesa do Consumidor, é acusado de integrar a organização criminosa e de vazar informações policiais em troca de vantagens indevidas.

Já o delegado Gustavo Stteel é acusado de fornecer informações privilegiadas e tentar intervir em benefício de integrantes do grupo. De acordo com o MPF, entre as supostas contrapartidas estaria a obtenção de cargos públicos para sua companheira.

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