Rio de Janeiro, 27 de Junho de 2026

Israel e Líbano fecham acordo sobre conflito com o Hezbollah

Texto prevê "projeto-piloto" com soldados libaneses assumindo o controle de duas áreas ocupadas por Israel, bem como o desarmamento da milícia xiita....

Sábado, 27 de Junho de 2026 às 11:17, por: CdB

Texto prevê “projeto-piloto” com soldados libaneses assumindo o controle de duas áreas ocupadas por Israel, bem como o desarmamento da milícia xiita. Hezbollah já anunciou que vai resistir.

Por Redação, com DW – de Jerusalém

Líbano, Israel e os Estados Unidos assinaram na sexta-feira um acordo para encerrar o conflito com a milícia xiita libanesa Hezbollah, que se arrasta desde março e deslocou mais de um milhão de libaneses, segundo autoridades do país.

Enquanto Israel destacou que acordo autoriza “zona de segurança”, Líbano vê no tratado oportunidade para saída definitiva de tropas israelenses de seu território

O texto inclui um projeto-piloto no qual soldados libaneses assumem o controle de duas áreas ocupadas por Israel, bem como um processo destinado a desarmar o Hezbollah.

O grupo está em confronto com Israel desde 2 de março, quando atacou o país com foguetes para vingar a morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em ataques de EUA e Israel.

Israel respondeu com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre. Suas tropas seguem ocupando áreas do sul do Líbano, onde vêm demolindo casas e outros edifícios.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou o acordo, afirmando que ele é um “grande golpe” contra o Irã e permite que Israel permaneça em uma “zona de segurança” que criou no sul do Líbano.

Autoridades libanesas, por sua vez, destacaram o acordo como mais um passo em direção à ampla e gradual retirada israelense de todo o território libanês.

O que diz o acordo

Pelo acordo, cujo texto foi divulgado na noite de sexta pelo governo americano, Israel e o Líbano “declaram sua intenção de encerrar definitivamente o conflito, abordar suas causas subjacentes e, assim, concluir formalmente qualquer estado de guerra entre eles”.

O documento também estabelece um processo pelo qual as Forças Armadas Libanesas (LAF) restaurariam a “autoridade soberana sobre todo o território libanês”, mediante o “desarmamento verificado de grupos armados não estatais e o desmantelamento da infraestrutura associada”, especialmente o Hezbollah.

Com isso, a expectativa é que as Forças de Defesa de Israel se retirem “progressivamente” do território libanês.

Netanyahu, no entanto, disse em um vídeo pré-gravado divulgado à mídia israelense logo após o anúncio do acordo que Israel não planeja deixar o Líbano até que o Hezbollah entregue suas armas.

Antes da divulgação do texto, o premiê já havia afirmado que o Exército israelense permitiria que o Exército libanês assumisse o controle de território em “duas áreas piloto” — uma ao sul do rio Litani e outra ao norte.

Segundo o texto, “as Forças Armadas Libanesas assumirão total e efetiva responsabilidade de segurança nessas zonas, esforços de reconstrução apoiados internacionalmente terão início, e civis libaneses poderão retornar com segurança a essas áreas”.

Segundo o chefe do Departamento de Estado americano, Marco Rubio, a implementação do acordo será acompanhada por um grupo de trabalho militar sob supervisão dos EUA.

O chefe da diplomacia americana também disse que os Estados Unidos destinarão 100 milhões de dólares em ajuda humanitária, em coordenação com as Nações Unidas, e reembolsarão o Exército libanês em 30 milhões de dólares, atuando para “melhorar a capacidade e o alcance” de suas forças.

Israel nega “ambições territoriais”

O governo do Líbano, sob o acordo, reafirma seu compromisso de restaurar a plena soberania sobre seu território. Ele irá “reconstruir o monopólio do Estado sobre o uso da força, alcançar o desarmamento completo e verificado de todos os grupos armados não estatais e garantir que esses grupos não terão nenhum papel militar ou de segurança nem capacidade armada em qualquer parte do Líbano”.

O Líbano solicita o apoio de parceiros internacionais e, em particular, dos países árabes, sob a liderança dos Estados Unidos, para alcançar esses objetivos.

Por sua vez, Israel afirma que suas ações militares no Líbano “são exclusivamente consequência dos ataques, da ameaça representada e da intenção hostil de grupos armados não estatais, particularmente o Hezbollah”.

“A eliminação dessa ameaça”, especialmente por meio do desarmamento desses grupos não estatais e de “arranjos adicionais de segurança a serem acordados entre os dois países”, eliminará qualquer necessidade futura de ação militar ou presença das Forças de Defesa de Israel no Líbano, afirmou.

Também destacou que “o governo de Israel declara que não tem ambições territoriais no Líbano”.

Hezbollah não reconhece acordo e promete desafiá-lo.

O Hezbollah — que é um partido influente na política libanesa, mas também mantém uma poderosa ala armada fora do controle do Estado — não participou das negociações. Via Facebook, o grupo afirmou que não está sujeito aos termos do acordo.

Em uma entrevista a um veículo libanês, o político Hassan Fadlallah, da bancada do Hezbollah no parlamento, declarou que o grupo vai resistir a qualquer medida do governo relacionada ao acordo e manter suas armas.

Mais cedo na sexta-feira, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse que Israel “não tem outra opção a não ser se retirar completamente de cada centímetro do nosso território libanês”, e que suas forças “devem sair incondicionalmente”.

O conflito entre Israel e Hezbollah tem perdurado apesar de esforços para encerrá-lo, com Israel insistindo na necessidade de neutralizar o poder de fogo da milícia antes de qualquer retirada do território libanês.

Autoridades libanesas contabilizam mais de 4,2 mil mortos desde o início da ofensiva israelense, em 2 de março.

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