Rio de Janeiro, 22 de Julho de 2026

Líbano exige saída completa de Israel do sul do país

O Exército libanês começou na terça-feira a se posicionar na região, antes controlada pelas forças israelenses.

Quarta, 22 de Julho de 2026 às 14:39, por: CdB

O Exército libanês começou na terça-feira a se posicionar na região, antes controlada pelas forças israelenses.

Por Redação, com RFI – de Beirute

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que o governo continuará trabalhando para obter uma retirada completa das forças israelenses do sul do país.

Veículos do Exército libanês em patrulha em Froun, no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano

A declaração foi feita durante uma visita à localidade de Zawtar al-Gharbiya, onde o Exército libanês iniciou seu deslocamento na véspera, conforme previsto em um acordo firmado com Israel.

A declaração ocorre um dia depois do encontro do presidente libanês, Joseph Aoun, com o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca. Na reunião, Aoun insistiu na necessidade de uma retirada total das tropas israelenses para permitir a implementação plena do acordo. 

– Continuaremos mobilizando esforços políticos e diplomáticos para alcançar uma retirada israelense completa do sul – declarou Salam após hastear uma bandeira libanesa na cidade. 

O Exército libanês começou na terça-feira a se posicionar na região, antes controlada pelas forças israelenses. A operação, porém, foi marcada por tensões. Os militares libaneses acusaram Israel de abrir fogo próximo às suas unidades. O Exército israelense respondeu que efetuou “disparos de advertência para o alto” depois que soldados libaneses entraram em uma área que, segundo Tel Aviv, não fazia parte da zona-piloto prevista pelo acordo. 

Apesar da redução dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, o Exército israelense continua realizando ataques esporádicos no sul do Líbano. Nesta quarta-feira, bombardeios atingiram a localidade de Nabatiyé al-Fawqa, segundo a agência oficial libanesa ANI. 

Deslocados 

O acordo firmado em junho prevê o deslocamento gradual do Exército libanês para áreas evacuadas por Israel, que ainda mantém tropas em partes do sul do país. Em contrapartida, o Hezbollah deveria ser desarmado. 

O movimento xiita rejeita esse acordo e se opõe ao desarmamento. Em março, o grupo abriu uma frente de combate contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando uma resposta militar israelense que incluiu bombardeios e uma ofensiva terrestre. O conflito provocou mais de um milhão de deslocados. 

Segundo Nawaf Salam, além do deslocamento militar, o governo continuará abrindo estradas, removendo escombros e restabelecendo serviços essenciais para permitir que a população retorne “com segurança e dignidade” às suas casas.  

De acordo com a ONU, mais de 700 mil pessoas já retornaram ao sul do Líbano desde a trégua firmada em junho. 

Negociações

Em paralelo, a Itália anunciou que sediará, em menos de duas semanas, uma nova rodada de negociações entre Líbano e Israel. Será o segundo encontro em menos de um mês, após uma primeira sessão realizada em meados de julho, também em Roma. 

– O próximo ciclo de diálogo acontecerá em 4 de agosto – declarou o ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, à Câmara dos Deputados. Segundo ele, as negociações anteriores permitiram avanços importantes na definição das primeiras zonas-piloto previstas pelo acordo. 

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