Rio de Janeiro, 09 de Julho de 2026

Inquérito da PF contra o deputado Sóstenes Cavalcante avança uma casa

A PF apura se o advogado não tinha recursos disponíveis para a aquisição do imóvel e que o negócio foi registrado apenas para dar lastro ao dinheiro vivo...

Quinta, 09 de Julho de 2026 às 20:00, por: CdB

A PF apura se o advogado não tinha recursos disponíveis para a aquisição do imóvel e que o negócio foi registrado apenas para dar lastro ao dinheiro vivo encontrado com Sóstenes Cavalcante.

Por Redação, com OESP – de Brasília e São Paulo

O inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro avançou nesta quinta-feira. Réu por crimes ambientais, o advogado Thiago Ferreira de Paula, que atua pelo do líder do PL na Câmara, passou a integrar a lista de suspeitos, depois de responder a uma ação penal sob acusação de extorsão e ameaça, na qual foi absolvido.

sóstenes cavalcante
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) é suspeito de integrar um esquema criminoso milionário

Sóstenes Cavalcante afirmou ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP), recentemente, que “tudo o que precisava era vender o imóvel” e que, pelo histórico criminal do advogado, “fica ainda mais claro que não existe nenhum impedimento legal para a negociação”. Thiago de Paula disse à reportagem que não comenta sua vida particular.

Paula, segundo apurou o colunista do OESP Fausto Macedo, em sua coluna, foi citado na ‘Operação Rent a Car’ por ter aparecido como suposto comprador de um imóvel de Cavalcante no valor de R$ 500 mil, pagos em espécie. A escritura foi registrada somente depois que a PF apreendeu R$ 470 mil em dinheiro vivo na residência do parlamentar.

 

Extorsão

A PF apura se o advogado não tinha recursos disponíveis para a aquisição do imóvel e que o negócio foi registrado apenas para dar lastro ao dinheiro vivo encontrado com Sóstenes Cavalcante. Morador de Ituiutaba (MG), cidade onde fica o imóvel vendido pelo parlamentar, o advogado foi denunciado anteriormente pelo Ministério Público de Minas sob acusação de extorsão e ameaça a um idoso, crimes que teriam sido cometidos para auxiliar um bicheiro na cobrança de uma dívida.

Em 2022, Thiago de Paula foi absolvido pela Vara Única da Comarca de Campina Verde (MG). Em sua defesa, no processo, afirmou que os fatos não eram verdadeiros e a Justiça entendeu que não havia provas para sua condenação.

Mais recentemente, em março deste ano, foi denunciado pela Promotoria de Ituiutaba sob acusação de crime ambiental, por “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação”. A pena dessa acusação é de detenção por seis meses a um ano; além de multa.

 

Movimentação

A quebra do sigilo bancário de Thiago de Paula identificou 49 comunicações de transferências consideradas atípicas, envolvendo 184 pessoas e uma movimentação financeira de R$ 27 milhões entre agosto de 2021 e dezembro de 2025.

O principal ponto revelado através do afastamento do sigilo, segundo a PF, diz respeito justamente à compra do suposto imóvel de Cavalcante por R$ 500 mil. Segundo a escritura pública, o valor teria sido pago integralmente em dinheiro vivo em 24 de novembro de 2025. No entanto, o documento só foi lavrado em cartório em 30 de dezembro daquele ano, onze dias após a PF apreender R$ 470 mil em espécie na casa do deputado, em 19 de dezembro.

Para os investigadores, a sequência de datas levanta suspeitas de que a escritura tenha sido formalizada depois da apreensão do dinheiro vivo para conferir “lastro formal a uma alegada transação pretérita”.

Edições digital e impressa