Uma pesquisa do Instituto DataFolha, divulgada nesta terça-feira, indica que parcela relevante dos eleitores do presidente Lula e do filho ’01, como é chamado o senador Flávio Bolsonaro, tem posicionamento ideológico distinto daquele tradicionalmente associado aos dois adversários.
Por Redação – de São Paulo
A interseção entre o pensamento de direita, que cultua o ‘deus mercado’, e de esquerda, dedicado à atenção aos brasileiros mais fragilizados pelo sistema capitalista, formará nestas eleições um eleitorado dividido entre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), de ultradireita; e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de centro-esquerda. Os percentuais, no entanto, permanecem desequilibrados.

Uma pesquisa do Instituto DataFolha, divulgada nesta terça-feira, indica que parcela relevante dos eleitores do presidente Lula e do filho ’01, como é chamado o senador Flávio Bolsonaro, tem posicionamento ideológico distinto daquele tradicionalmente associado aos dois adversários. Nesse cenário, 24% dos entrevistados que anunciaram o voto em Lula foram classificados como integrantes da direita ou centro-direita. Entre os eleitores de ’01’, por sua vez, 19% aparecem posicionados no espectro de esquerda ou centro-esquerda.
A classificação ideológica aplicada pelo DataFolha, no entanto, não se baseia na autodeclaração dos entrevistados. O instituto constrói essa matriz a partir de um conjunto de respostas relacionadas a comportamento, valores sociais e visão sobre temas econômicos, à revelia da autodeclaração do entrevistado.
Ideologia
O estudo, nas bases adotadas pela linha técnica dos pesquisadores, também indica que a identificação dos brasileiros com a direita ou a centro-direita volta a superar a identificação com a esquerda ou a centro-esquerda. Segundo a pesquisa, 44% dos entrevistados foram classificados nos dois segmentos mais à direita do espectro ideológico, enquanto 39% enquadram-se na esquerda ou centro-esquerda.
Entre aqueles que afirmaram votar em Lula, 24% encontram-se na esquerda; 36% na centro-esquerda; 16% no Centro; 19% na centro-direita e 5% na direita. Na prática, isso significa que perto de um quarto do eleitorado do presidente está localizado à direita ou centro-direita, enquanto 60% permanecem nos campos da esquerda e centro-esquerda.
Já no outro lado da disputa, a distribuição apresentada pelo DataFolha para os apoiadores de Flávio Bolsonaro tem na direita: 25%; na centro-direita: 38%; no centro: 17%; na centro-esquerda: 15% e apenas 3% na esquerda. Devido aos arredondamentos estatísticos, os segmentos de direita e centro-direita somam 64%, enquanto esquerda e centro-esquerda chegam a 19%.
Eleição passada
O instituto também analisou a distribuição ideológica considerando o voto declarado no segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O padrão encontrado foi semelhante ao das atuais intenções de voto. Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula naquele pleito, 56% foram classificados na esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% na direita ou centro-direita.
Já entre aqueles que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 64% aparecem na direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% na esquerda ou centro-esquerda.
Para estabelecer a classificação ideológica, o DataFolha utiliza uma matriz composta por 16 perguntas. Dez delas tratam de aspectos comportamentais, abordando temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, religião, sindicatos e punição de adolescentes que cometem crimes.
O DataFolha entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).