Manuel Adorni, um dos nomes mais próximos ao presidente argentino, anunciou renúncia após quatro meses de escândalo por acusações de corrupção e enriquecimento ilícito.
Por Redação, com DW – de Buenos Aires
Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente da Argentina, Javier Milei, e um dos nomes mais próximos ao presidente, anunciou no sábado sua renúncia após quatro meses de escândalo devido a acusações de corrupção contra ele, que resultaram em uma investigação judicial por suposto enriquecimento ilícito.

– Os intermináveis ataques da mídia que tenho suportado me levaram a pedir que, desta vez, o senhor me acompanhe, para que eu possa encerrar este ciclo com o objetivo de proteger a mim e à minha família – afirmou Adorni em uma longa carta dirigida a Milei, publicada em sua conta na rede social X.
Gastos extravagantes
Adorni está envolvido em um escândalo cada vez maior desde março, quando foi revelada uma série de gastos extravagantes e não declarados que resultaram em uma investigação judicial que colocou seu patrimônio sob o microscópio da Justiça.
“Sou um simples cidadão que um dia quis colaborar com um projeto que está colocando a Argentina no topo do mundo, um cidadão comum, com uma vida que não é nem mais nem menos do que a que sempre tive. Infelizmente, nem todos querem o que nós queremos, senhor presidente”, escreveu Adorni, que afirmou ter sido “tratado como criminoso e corrupto sem um único fato de corrupção” em seu histórico.
Dinheiro oculto
Adorni admitiu, no último dia 10 de junho, que ocultou cerca de US$ 500 mil em suas declarações patrimoniais juramentadas e afirmou que esses recursos correspondiam a poupanças mantidas fora do registro junto com sua esposa, provenientes de seu trabalho no setor privado.
Em meio às tentativas da oposição de convocar Adorni ao Congresso para submetê-lo a um interrogatório com vistas a uma possível moção de censura, Milei destituiu Adorni de suas funções de porta-voz presidencial, que ele exercia paralelamente ao cargo de chefe de gabinete.
Compras com cartão de crédito de funcionários
Naquela mesma sexta-feira, mais cedo, Adorni ficou no centro de uma nova polêmica depois que vieram à tona supostas compras de equipamentos para videogames feitas a partir de sua conta pessoal no Mercado Livre, utilizando cartões de crédito pertencentes a dois funcionários que trabalhavam sob sua supervisão na estrutura da Assessoria de Imprensa Presidencial.
Até este sábado, Milei se empenhou em defender Adorni e mantê-lo no cargo, apesar de o escândalo crescente ter acarretado uma queda na imagem do governo, disputas internas e uma certa paralisia no gabinete ministerial.
– Encerro esta etapa. Retiro-me tranquilo e sereno, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila e firme em minhas convicções – concluiu Adorni no comunicado.