Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Idosa retirada de casa em Madri consegue direito de retorno

Empresa dona do imóvel chega a acordo com advogados de idosa após comoção causada pelo caso. Maricarmen Abascal voltará para casa quando receber alta de hospital onde foi internada depois de despejo.

Terça, 29 de Setembro de 2026 às 11:45, por: CdB

Empresa dona do imóvel chega a acordo com advogados de idosa após comoção causada pelo caso. Maricarmen Abascal voltará para casa quando receber alta de hospital onde foi internada depois de despejo.

Por Redação, com DW – de Madri

Após a grande comoção causada pelo seu despejo, a idosa Maricarmen Abascal, de 87 anos, poderá voltar para a casa no bairro do Retiro, em Madri, informou sua advogada na segunda-feira. A empresa proprietária do imóvel chegou a um acordo com os representantes da inquilina depois da repercussão que o caso gerou uma onda de protestos na capital espanhola.

Despejo de Abascal comoveu Espanha e gerou onda de protestos

Abascal viveu durante 70 anos no apartamento e sempre pagou seu aluguel em dia. No entanto, a idosa de 87 anos acabou sendo despejada na semana passada. A aposentada passou anos envolvida em uma batalha judicial contra uma empresa que comprou o imóvel.

Abascal pagava um aluguel no valor de cerca de 500 euros por mês (cerca de R$ 2,9 mil). O novo proprietário do imóvel, porém, resolveu aumentar em 275% o valor do aluguel mensal, para 2.650 euros (aproximadamente R$ 15,6 mil), segundo o Sindicato de Inquilinos de Madri. Abascal não tinha condições de pagar esse valor, pois recebe uma aposentadoria de 1,3 mil euros por mês.

A disputa chegou até a Suprema Corte da Espanha, que decidiu a favor da empresa e abriu caminho para o despejo. Com apenas 30 minutos para reunir seus pertences, Abascal foi escoltada por policiais da tropa de choque. Ela foi retirada de sua casa em uma maca e levada para uma ambulância.

– Esperamos que este acordo também sirva para mudar um pouco o paradigma da habitação – declarou Beatriz Duro, advogada de Abascal, que destacou que houve “boa vontade de ambas as partes” e que o novo aluguel será “semelhante ao valor que ela vinha pagando”.

Abascal poderá retornar ao apartamento, após receber alta do hospital, onde está sendo tratada por exaustão, acrescentou a advogada.

Crise habitacional

O caso de Abascal acabou expondo um problema antigo na Espanha: o alto custo da moradia. Além disso, ele provocou uma nova disputa política às vésperas do debate parlamentar sobre uma proposta legislativa relacionada aos aluguéis, para a qual o governo do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ainda não reuniu apoio suficiente.

No sábado, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades espanholas em apoio a Maricarmen e para protestar contra a situação do mercado imobiliário. Centenas delas permaneceram acampadas na Puerta del Sol, no centro de Madri.

Os manifestantes que continuam acampados na praça, organizados pelo Sindicato de Inquilinas, esperam que o governo liderado por Sánchez aprove nesta terça-feira o chamado decreto “Maricarmen”. A proposta incluiria, entre outras medidas, contratos de aluguel por prazo indeterminado, embora as negociações em curso indiquem que essa reivindicação dificilmente será atendida.

Para que o pacote de medidas urgentes seja aprovado pelo Parlamento espanhol, o governo precisará do apoio de outras forças políticas. Até o momento, esse respaldo não está garantido, nem mesmo por parte do Sumar, parceiro da coalizão governista, que não descarta se ausentar da votação caso o texto não contemple integralmente suas exigências.

Entre as propostas para tentar conter a crise habitacional estão o reforço da proteção contra despejos, a proibição de compras especulativas por fundos de investimento, a estabilização dos contratos de aluguel, a regulamentação dos aluguéis de temporada, a aplicação de IVA aos apartamentos destinados ao turismo e incentivos fiscais para inquilinos e compradores da primeira moradia.

No entanto, o texto não deverá incluir a renovação automática dos contratos de aluguel, medida defendida pelos manifestantes e pelo Sindicato de Inquilinas para impedir que proprietários promovam aumentos significativos e não regulados ao término dos contratos.

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