Os protestos se intensificaram na semana passada depois que a polícia despejou Maricarmen Abascal, de 87 anos, em uma maca, de sua casa em Madri.
Por Redação, com Reuters – de Madri
Manifestantes iniciaram nesta segunda-feira o terceiro dia acampados em frente à sede do governo regional de Madri para se opor ao despejo de uma octogenária e exigir maior proteção aos inquilinos diante da escassez de moradias e do aumento vertiginoso dos aluguéis.

Os protestos se intensificaram na semana passada depois que a polícia despejou Maricarmen Abascal, de 87 anos, em uma maca, de sua casa em Madri, onde morava há mais de sete décadas, devido a uma ordem de despejo obtida pelo fundo de investimento que comprou seu apartamento.
Centenas de pessoas do lado de fora do prédio entraram em confronto com a polícia, enquanto o governo central de esquerda condenou o governo regional de centro-direita, que não conseguiu impedir o despejo.
Centenas de barracas ocupavam na segunda-feira a praça central Puerta del Sol, ecoando os protestos de 2011, quando o local ficou ocupado por um mês por ativistas que se manifestavam contra as medidas de austeridade adotadas durante a crise financeira global.
No sábado, cerca de 30 mil pessoas marcharam por Madri para se opor ao tratamento dado a Maricarmen e a outras pessoas expulsas de suas casas por fundos de investimento.
Os manifestantes agitavam chaves e carregavam faixas com slogans como “Especuladores, voltem para casa” e “Moradia é para morar”.
Ao cair da noite na Puerta del Sol, onde fica o escritório de Isabel Díaz Ayuso, presidente de centro-direita da Comunidade de Madri, dezenas de ativistas montaram barracas, e seu número vem crescendo constantemente desde então.
Blanca, uma estudante, disse que os jovens espanhóis estão enfrentando dificuldades para sair da casa dos pais.
– Os políticos não só não fazem nada como ainda pioram a situação – declarou ela. “Decidimos nos posicionar com firmeza, então esperemos que eles nos ouçam.”
Protestos
Outros protestos estavam previstos para ocorrer em toda a Espanha na segunda-feira, de acordo com o Sindicato dos Inquilinos, que vem coordenando os protestos.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou no domingo que o governo estava trabalhando para aprovar, até terça-feira, um decreto sobre moradia no Parlamento que traria alívio imediato aos inquilinos.
Os aluguéis, em média, dobraram na última década, superando em muito o crescimento dos salários.