Assumiu a defesa de Vorcaro, na noite passada, o criminalista José Luís de Oliveira Lima, em substituição ao advogado Pierpaolo Bottini.
Por Redação – de Brasília
A simples hipótese de uma delação premiada por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tem sido suficiente para deixar políticos do chamado ‘Centrão’ à beira de um ataque de nervos. Ao trocar sua equipe de defesa por especialistas em colaboração com a Justiça, segundo apurou a jornalista Jussara Soares, do canal norte-americano de TV CNN, voz corrente na Capital Federal dava conta do nervosismo em setores da direita e da ultradireita, no Congresso..

Assumiu a defesa de Vorcaro, na noite passada, o criminalista José Luís de Oliveira Lima, em substituição ao advogado Pierpaolo Bottini. A alternância ocorreu pouco depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão preventiva do empresário, investigado no escândalo envolvendo gigantescas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.
Segundo Soares, nos bastidores de Brasília, entre influentes integrantes do ‘Centrão’ — grupo político do qual fazem parte, entre outros, os presidentes da Câmara, deputado Hugo Motta (PP-AL), e do Congresso, senador Davi Alcolumbre (UB-AP) — a principal dúvida agora é qual instância conduzirá o possível acordo de colaboração premiada: se a Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a Polícia Federal (PF).
Relator
Uma vez acordada com o segmento definido do Judiciário, a delação precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Outro fator que alimenta a tensão política é a extensa rede de contatos de Vorcaro, o que levanta dúvidas sobre até onde o banqueiro poderia avançar em um eventual acordo em troca de benefícios judiciais.
Pesam, ainda, suspeitas de conexões do empresário com servidores públicos, parlamentares, líderes partidários e até integrantes do Judiciário. O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master já colocou sob análise relações do banqueiro com ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Sob reserva, interlocutores do ‘Centrão’ avaliam que um acordo conduzido diretamente pela PF poderia ter alcance mais amplo, com potencial para avançar sobre integrantes do próprio STF.