A Casa Branca não respondeu imediatamente às perguntas sobre para onde Maduro e a primeira-dama estavam sendo levados, após o “ataque em larga escala” na Venezuela nesta madrugada divulgado pelo presidente Donald Trump.
Por Redação, com AP – de Caracas e Washington
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, agora empossada na Presidência da República, declarou à nação no início da manhã deste sábado que Caracas havia sido atacada pelos Estados Unidos e o presidente Nicolás Maduro fora sequestrado.

— Não sabemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos prova de que estão vivos — exigiu Rodríguez.
Já em Washington, em horário semelhante, o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, confirmou que o presidente venezuelano foi capturado pelas forças especiais dos EUA ainda durante a madrugada.
— Finalmente enfrentará a justiça por seus crimes — afirmou Landau.
Base legal
A Casa Branca não respondeu imediatamente às perguntas sobre para onde Maduro e a primeira-dama estavam sendo levados, após o “ataque em larga escala” na Venezuela nesta madrugada divulgado pelo presidente Donald Trump, pelas redes sociais, descrito como “uma operação extraordinária”. Segundo Trump, o presidente venezuelano foi capturado e levado para fora do país. A base legal para o ataque — e se o mandatário norte-americano consultou o Congresso previamente — não ficou imediatamente clara.
A ação militar norte-americana, que depôs o líder em exercício de uma nação, lembrou a invasão dos EUA ao Panamá, que levou à rendição e à captura de seu líder, Manuel Antonio Noriega, em 1990 — há exatos 36 anos, completados neste sábado.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro e sua mulher, Cilia Flores, enfrentarão acusações após uma denúncia em Nova York. Bondi prometeu em uma publicação nas redes sociais que o casal “em breve enfrentará toda a fúria da justiça norte-americana em solo norte-americano, em tribunais norte-americanos”.
‘Narcoterrorismo’
Maduro e outros funcionários venezuelanos foram indiciados em 2020 por conspiração para “narcoterrorismo”, mas não se sabia anteriormente que sua mulher também havia sido indiciada, e não estava claro se Bondi se referia a uma nova acusação. Os detalhes das alegações contra Flores não foram divulgados imediatamente.
Ainda nesta madrugada, várias explosões foram ouvidas e aeronaves voando baixo sobrevoaram a capital venezuelana, enquanto o governo de Maduro acusava os Estados Unidos de atacar instalações civis e militares, classificando o ataque como “imperialista” e incitando os cidadãos a sair às ruas.
Maduro, disse Trump, “foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças de segurança dos EUA”.
Preso
O ataque em si durou menos de 30 minutos e as explosões — pelo menos sete delas — fizeram com que as pessoas corressem para as ruas, enquanto outras usavam as redes sociais para relatar o que tinham visto e ouvido. Não foi divulgado, ainda, se houve mortos ou feridos em nenhum dos lados ou se mais ações seriam realizadas, embora Trump tenha dito em sua publicação que os ataques foram realizados “com sucesso”.
O senador Mike Lee, republicano por Utah, publicou no X que o secretário de Estado Marco Rubio o havia informado sobre o ataque e disse que Maduro “foi preso por agentes norte-americanos para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos”.
O ataque ocorreu após meses de pressão crescente do governo Trump sobre o líder venezuelano, incluindo um grande aumento da presença militar norte-americana nas águas da América do Sul e ataques a embarcações no Pacífico Oriental e no Caribe, acusadas de transportar drogas. Na semana passada, a CIA esteve por trás de um ataque com drones a uma área de atracação que se acredita ter sido usada por cartéis de drogas venezuelanos — a primeira operação direta conhecida em solo venezuelano desde o início dos ataques dos EUA em setembro.
Ruas lotadas
Logo após as explosões na capital, o governo da Venezuela respondeu com um apelo à ação: “Povo, às ruas!”. Homens armados e integrantes uniformizados de uma milícia civil saíram às ruas de um bairro de Caracas, há muito considerado um reduto do partido governista. Ao amanhecer, algumas pessoas se reuniram e gritavam “Tragam Maduro de volta!”, exibindo cartazes com a imagem do líder. Em outras áreas da cidade, as ruas permaneceram vazias horas após o ataque. Partes da cidade continuaram sem energia elétrica, mas os veículos circulavam livremente.
Vídeos obtidos em Caracas e em uma cidade costeira não identificada mostraram traçadores de balas e fumaça obscurecendo a paisagem enquanto repetidas explosões abafadas iluminavam o céu noturno. Outras imagens mostraram carros passando em uma rodovia enquanto explosões iluminavam as colinas atrás deles. Os vídeos foram verificados pela agência norte-americana de notícias Associated Press (AP). Observou-se fumaça saindo do hangar de uma base militar em Caracas, enquanto outra instalação militar na capital estava sem energia.
O comunicado do governo venezuelano afirmou que Maduro “ordenou a implementação de todos os planos de defesa nacional” e declarou estado de emergência, o que lhe confere o poder de suspender os direitos da população e ampliar o papel das forças armadas.
O site da Embaixada dos EUA na Venezuela, um posto que está fechado desde 2019, emitiu um alerta aos cidadãos americanos no país, dizendo estar “ciente de relatos de explosões em Caracas e arredores”.
“Os cidadãos americanos na Venezuela devem permanecer em suas casas”, dizia o alerta.
Reações
Cuba, apoiadora do governo Maduro e adversária histórica dos Estados Unidos, pediu que a comunidade internacional responda ao que o presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez chamou de “ataque criminoso”.
“Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada”, disse ele em uma rede social. O Ministério das Relações Exteriores do Irã também condenou os ataques.
O presidente argentino Javier Milei, por sua vez, elogiou a declaração de seu aliado próximo, Trump, de que Maduro havia sido capturado, usando um slogan político que ele costuma empregar para celebrar avanços da direita: “Viva a liberdade, droga!”
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia (MRE), publicado na página oficial da chancelaria russa neste sábado, afirmou que apoia o apelo por uma reunião imediata do Conselho de Segurança da ONU após o ataque dos EUA à Venezuela.
Agressão
“Apoiamos a declaração das autoridades venezuelanas e dos líderes dos países latino-americanos sobre a convocação urgente de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU”, diz o relatório divulgado no site do MRE.
Segundo o documento, os ataques dos EUA contra Caracas causam profunda preocupação e condenação, e os pretextos utilizados para justificar essa agressão são insustentáveis.
“Esta manhã, os EUA cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso suscita profunda preocupação e condenação. Os pretextos usados para justificar tais ações são insustentáveis”, sustenta o ministério.
“A Rússia reafirma sua solidariedade ao povo venezuelano e seu apoio à linha adotada pela liderança do país para proteger os interesses e a soberania da república”, completou.