No Palácio do Planalto, durante agenda oficial da visita de Ramaphosa ao Brasil, o presidente brasileiro elogiou a cooperação entre os dois países e abordou as iniciativas conjuntas no setor de defesa.
Por Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta segunda-feira, a intenção de ampliar a capacidade de defesa do país e investir em cooperação internacional para evitar vulnerabilidades estratégicas. A declaração ocorreu durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no início desta tarde, na visita de Estado voltada ao fortalecimento das relações bilaterais entre os dois países fundadores do grupo BRICS.

No Palácio do Planalto, durante agenda oficial da visita de Ramaphosa ao Brasil o presidente brasileiro elogiou a cooperação entre os dois países e abordou as iniciativas conjuntas no setor de defesa, reduzindo a dependência de fornecedores internacionais de armamentos.
— Então, pensamos em defesa como dissuasão. Mas não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que se a gente não se preparar para a questão da defesa, qualquer dia alguém invade a gente — afirmou Lula.
Cooperação
O presidente acrescentou que Brasil e África do Sul têm potencial para desenvolver projetos conjuntos no setor.
— Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas. Nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos de que ninguém vai ajudar a gente a não ser nós mesmos — pontuou.
Durante a visita, os dois governos anunciaram a assinatura de instrumentos destinados a ampliar a cooperação econômica, comercial e política. Entre os atos firmados está a renovação por quatro anos do plano de ação no setor de turismo, voltado a incentivar viagens de lazer e negócios entre os dois países.
Potencial
Também foi concluído um acordo entre a ApexBrasil e o Departamento de Comércio da África do Sul para estimular comércio e investimentos. Segundo Lula, o nível atual das trocas comerciais ainda está aquém do potencial das duas economias.
— A relação comercial não está à altura do potencial de nossas economias. O intercâmbio anual está estagnado há quase 20 anos. Não existe nenhuma explicação política para que a gente não tenha um comércio acima de US$ 10 bilhões. Alguma coisa está faltando na nossa relação — acrescentou o presidente.
O fluxo comercial entre Brasil e África do Sul alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025. Entre os principais produtos exportados pelo Brasil estão carnes de aves e miudezas, açúcares e melaços e veículos rodoviários. As importações brasileiras concentram-se principalmente em prata, platina e outros minerais do grupo da platina.
Minerais
Lula destacou também que os dois países possuem áreas de cooperação com grande potencial, incluindo energia renovável, ciência e tecnologia e agricultura. O presidente também apoia o maior intercâmbio cultural entre Brasil e África do Sul como forma de aproximar ainda mais as duas sociedades.
— Essa visita vai permitir que a gente repense nossa relação com a África do Sul, porque temos muitas similaridades, muito o que aprender e ensinar, na área da energia renovável, na questão da ciência e tecnologia, na agricultura — observou.
Outro ponto abordado foi a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para a transição energética e a indústria tecnológica. Lula afirmou que o Brasil pretende fortalecer as cadeias produtivas ligadas a esses recursos.