Rio de Janeiro, 31 de Julho de 2026

FIFA e o fim das Copas do Mundo

Por Rui Martins - Os jogadores deixariam de ser futebolistas e esportistas representantes de seus países para se tornarem objetos rentáveis a serviço de capitais e oligarcas.

Sexta, 31 de Julho de 2026 às 05:55, por: Rui Martins

Safadeza tem limite. A UEFA, União das Associações Européias de Futebol, que reúne 55 países, decidiu, por unanumidade, boicotar todos os jogos promovidos pela FIFA, inclusive a Copa do Mundo do Futebol Feminino, dentro de um ano no Brasil.

Por Rui Martins, editor do Direto da Redação
O dirigente da FIFA quer as Copas do Mundo como investimento cotado na bolsa de valores

Ainda ontem,a Confederação de Futebol da América do Norte, América Central e Caraíbas, CONCOCAF, reunindo 55 federações, também rejeitou a proposta escandalosa do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de transformar a Copa do MUndo num empreendimento comercial e financeiro, com todos os desvios que isso geraria, desde apostas e jogos combinados para dar mais lucros aos oligarcas.

Os jogadores deixariam de ser futebolistas e esportistas representantes de seus países para se tornarem objetos rentáveis a serviço de capitais e oligarcas. É grande a rejeição ao absurdo projeto do dirigente da FIFA de venda parcial dos direitos da Copa do Mundo, transformada em produto.

As federações americanas criticam a maneira como Infantino quer impor seu projeto. Em síntese, Infantino, amigo de Trump, quer desvirtuar o futebol como esporte nacional e se as federações nacionais resistirem será Infantino quem deverá deixar a FIFA, onde pontifica como um ditador como foi Havelange.

A UEFA, assim como o mundo do futebol europeu, rejeita a transformação da FIFA numa sociedade financeira, destinada a dar lucros, desvirtuando totalmente as competições internacionais de futebol.

Sem a UEFA e suas 55 associações, inclusive a espanhola atual campeã do mundo, pode-se considerar terminada a Copa do Mundo de futebol.

Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

Edições digital e impressa