Segundo Lavrov, os acordos propostos no encontro entre Putin e Trump, no Alasca, viabilizariam o fim do conflito que dura mais de quatro anos.
Por Redação, com Interfax – de Moscou
Os Estados Unidos estão tentando convencer a Ucrânia a cumprir os entendimentos alcançados na cúpula Rússia-EUA no Alasca, em agosto de 2025, afirmou neste sábado o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

— Houve uma pausa (nas negociações). Mas estamos cientes dos contatos que os (norte-)americanos têm mantido com os ucranianos. Fomos informados disso. Vemos que o lado (norte-)americano está tentando fazer todo o possível para obter o consentimento de Kiev aos entendimentos alcançados pelos presidentes russo e (norte-)americano no Alasca. Em nossa opinião, essa abordagem é a única correta — afirmou Lavrov, em entrevista ao canal francês de TV France Télévisions.
Segundo Lavrov, os acordos propostos no encontro entre Putin e Trump, no Alasca, viabilizariam o fim do conflito que dura mais de quatro anos.
— Gostaria de repetir mais uma vez: acabamos de ouvir isso de nossos homólogos (norte-)americanos, e temos todos os motivos para acreditar que é verdade, que eles estão pressionando por um consentimento definitivo em relação aos acordos alcançados no Alasca. Essa é a essência do trabalho deles com o regime de Kiev — acrescentou.
Direitos
Na opinião do chanceler russo, “ os acordos alcançados no Alasca não foram abrangentes. Ainda há uma série de questões a serem tratadas quando Kiev concordar em aceitar os entendimentos de Anchorage”.
— Questões que exigem entendimento especial incluem o já mencionado problema da língua russa e da Igreja Ortodoxa Ucraniana canônica. Penso que não se deve esperar quaisquer medidas de Kiev. O que precisa ser feito é simplesmente exigir, em nome da União Europeia e da OTAN, a reintegração das disposições da Constituição ucraniana que garantem os direitos de todas as minorias nacionais, em primeiro lugar, da minoria nacional russa e dos residentes de língua russa na Ucrânia, incluindo seus direitos linguísticos e religiosos — apontou Lavrov.
As negociações que se seguiram à cúpula de Anchorage foram complicadas pelo fato de a UE e a liderança da OTAN, sobretudo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, “tentarem de todas as maneiras possíveis minar esses entendimentos, afastar o governo dos EUA dos acordos que apoiamos por nossa própria sugestão”, lembrou o chanceler.
— O prolongamento do conflito deve-se em grande parte a essa política subversiva da União Europeia e da liderança da OTAN — concluiu Lavrov.