Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Alemanha avança em acordo militar de drones com a Ucrânia

Alemanha assume novo papel como parceira de defesa da Ucrânia, avançando em projetos conjuntos de desenvolvimento de drones de ataque e armamentos.

Terça, 12 de Maio de 2026 às 15:02, por: CdB

Países assumem status de “parceiros de defesa” e lança cooperação para desenvolvimento conjunto de armamentos, incluindo drones de ataque.

Por Redação, com DW – de Berlim

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, anunciou nesta terça-feira que a Alemanha deixará o status de doador de ajuda militar à Ucrânia e assumirá com o país europeu a relação de “parceiros de defesa”.

Alemanha avança em acordo militar de drones com a Ucrânia | Pistorius fechou novos acordos de cooperação com a Ucrânia
Pistorius fechou novos acordos de cooperação com a Ucrânia

A mudança implica em maior cooperação bilateral para o desenvolvimento conjunto de sistemas de armas, não apenas transferência. Seis projetos conjuntos estão em andamento, entre eles, o de produção de drones de ataque.

“Somos parceiros estratégicos. Por um lado, continuamos a apoiar vocês na sua luta defensiva, mas, por outro, estamos cada vez mais construindo uma parceria estruturada, de longo prazo, que deve ser levada em conta”, disse Pistorius em Kiev, onde se reuniu com seu homólogo ucraniano, Rustem Umerov, e com o presidente Volodymyr Zelensky.

Os ministros assinaram uma declaração de intenções para cooperação por meio da plataforma Brave One, que apoia desenvolvedores com inovações promissoras. O objetivo também é criar novas joint ventures teuto-ucranianas. “Vocês não são mais apenas consumidores de segurança, são fornecedores de segurança”, concluiu Pistorius.

Expertise ucraniana

Após chegar a Kiev em uma visita não anunciada, Pistorius disse que o foco será o desenvolvimento conjunto de “sistemas não tripulados de última geração em todas as categorias, particularmente na área de ataques de longo alcance”.

Ele também destacou a troca de dados e ferramentas analíticas para uma rápida análise situacional no campo de batalha como outras prioridades-chave.

Desde o início da guerra com a Rússia, a Ucrânia desenvolveu uma ampla gama de armas próprias para compensar a falta de armamentos de maior alcance. O país agora é considerado referência mundial no uso de drones em combate, com novos métodos operacionais derivados da experiência na linha de frente.

Drones ucranianos estão atingindo alvos muito além da linha de frente em intervalos cada vez menores, aumentando a pressão sobre as tropas russas. Ao mesmo tempo, os combates permanecem em grande parte estagnados, com pouca movimentação no campo de batalha.

“Deep strike” refere-se à capacidade de destruir alvos importantes muito atrás das linhas inimigas. Parceiros europeus da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ainda têm lacunas de capacidade em armas de longo alcance, que, segundo Pistorius, precisam ser supridas o mais rápido possível.

Alemanha

A Alemanha vem ampliando seu apoio à Ucrânia. O governo quer que mais investidores privados alemães apoiem empresas de defesa ucranianas e participem de joint ventures.Para isso, o Ministério da Defesa em Berlim realizou recentemente uma videoconferência com representantes do governo ucraniano, incluindo bancos, fundos e outros participantes do setor financeiro pela primeira vez.

Em meados de abril, o governo alemão firmou uma “parceria estratégica” com a Ucrânia durante consultas governamentais e prometeu mais ajuda militar.

A Alemanha financiará um contrato da Ucrânia com a empresa de defesa americana Raytheon para o fornecimento de várias centenas de mísseis Patriot. Também foi firmado um acordo com a empresa alemã Diehl Defence para o fornecimento de mais lançadores dos sistemas de defesa aérea Iris-T.

A produção de drones de médio e longo alcance também foi acordada. Está prevista a criação de uma joint venture com o objetivo de fornecer milhares de drones. Em fevereiro, o primeiro drone de fabricação teuto-ucraniana foi entregue como parte de uma iniciativa para abastecer seus soldados com 10 mil desses equipamentos por ano.

Mas Berlim também procura contornar um incidente diplomático após o CEO da Rheinmetall, gigante alemã do setor de defesa, chamar os fabricantes ucranianos de drones de “donas de casa” que brincam de Lego em suas cozinhas. Zelensky, rebateu que, se isso fosse verdade, “toda dona de casa na Ucrânia poderia ser CEO da Rheinmetall”.

 

 

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