om uso de expedientes editoriais tendenciosos, em pautas que distorcem os efeitos positivos das políticas de governo, os estratagemas conservadores têm, gradativamente, acirrado a polarização política no país.
Por Redação – de Brasília
O método das forças de direita e extrema direita para desgastar ao máximo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com apoio da mídia conservadora, tem apresentado respostas efetivas junto à opinião pública. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, a aprovação de Lula oscilou negativamente para 45,9%, enquanto a desaprovação cresceu para 53,5%.

Com uso de expedientes editoriais tendenciosos, em pautas que distorcem os efeitos positivos das políticas de governo, os estratagemas conservadores têm, gradativamente, acirrado a polarização política no país. Em fevereiro, o presidente registrava 46,6% de aprovação e 51,5% de desaprovação, indicando avanço do desgaste ao longo dos últimos meses.
O cerco midiático ganhou contornos que chegaram às raias da criminalidade com a apresentação de um gráfico, ao estilo ‘Powerpoint’, no programa ‘Estúdio I’, do canal por assinatura Globonews. Apresentado pela jornalista Andréa Sadi, na sexta-feira, a peça induzia a audiência a acreditar que Lula faria parte do esquema fraudulento coordenado pelo Banco Master, sem a apresentação de uma prova sequer.
Resiliência
Diante da pressão popular e das mensagens de repúdio à artimanha antiética, em curso, Sadi divulgou na segunda-feira um pedido público de desculpas. A arte gráfica também gerou repercussão negativa nas redes sociais e críticas de especialistas em Jornalismo, que apontaram o viés distorcido e a completa falta de contextualização dos fatos. O quadro lembrava o episódio conduzido em 2016 pelo chefe da força-tarefa da ‘Operação Lava Jato’, Deltan Dallagnol, para incriminar o líder petista.
Na retratação tardia, após mais de 72 horas no ar, a emissora reconheceu na segunda-feira o erro no uso do material visual e afirmou que o conteúdo não refletia adequadamente o rigor editorial adotado pela redação. Apesar do pedido de desculpas, o comunicado não mencionou diretamente o nome do presidente, em sinal de resiliência à tática depredatória da imagem política de Lula.
A errata também cita o envolvimento de nomes de “ex-diretores do Banco Central (BC)”, mas sem apontar o envolvimento do economista Roberto Campos Neto, que presidia o BC quando o Banco Master efetuou todas as suas negociações fraudulentas. Campos Neto é hoje diretor do Nubank, banco que tem na sociedade a família Marinho, proprietária do grupo Globo.
Evangélicos
Esse e outros expedientes, ao longo da programação dos canais conservadores — a maioria deles sustentados com relevantes investimentos em mídia pelo Palácio do Planalto — levaram à desaprovação maior entre os homens (63,1%) do que entre as mulheres (45,9%), segundo a pesquisa Atlas/Bloomberg. A reprovação do eleitorado alcança, ainda, 72,7% na faixa dos mais jovens, entre 16 e 24 anos, embora menor na faixa de 45 a 59 anos, na qual chega a 43,7%.
Entre os evangélicos, um setor da sociedade com o qual o governo enfrenta seguidos desgastes desde a eleição do radical de ultradireita Jair Bolsonaro (PL), em 2017, uma nova crise eclodiu após a polêmica com uma ala no desfile carnavalesco que homenageou o presidente, na Avenida Marquês de Sapucaí. Neste segmento, a desaprovação é massiva, segundo o levantamento, em 85,5%.
A avaliação do governo Lula também ficou pior. O percentual de eleitores que considera a gestão ótima ou boa caiu de 42,7% no mês passado para 40,6%. Já a parcela que avalia o governo como ruim ou péssimo subiu de 48,4% para 49,8%, enquanto a avaliação regular passou de 8,9% para 9,6%.
Pessimismo
Embora a cúpula do PT tenha pesadelos com a dificuldade do governo em reverter a percepção negativa do eleitorado, a política publicitária da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República se mantém inalterada. Apesar de indicadores econômicos favoráveis, como o controle da inflação e a menor taxa de desemprego desde 2012, em face do noticiário tendencioso, persiste um ambiente de pessimismo no país.
A pesquisa Atlas/Bloomberg contactou, pela internet, 5.028 eleitores com 16 anos ou mais, selecionados pela metodologia de recrutamento digital aleatório utilizada pelo instituto. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e o nível de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).