Ministério Público aponta que policial teria atuado como advogada de facção criminosa e mantinha vínculo com chefe do tráfico.
Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo
Uma delegada recém-empossada da Polícia Civil de São Paulo foi presa nesta sexta-feira durante uma operação do Ministério Público, sob suspeita de atuar em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC), informa o portal g1.

A investigação indica que Layla Lima Ayub mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes da facção criminosa e teria exercido irregularmente a advocacia mesmo após assumir o cargo público.
Posse recente e vínculos investigados
Layla tomou posse como delegada em 19 de dezembro do ano passado, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Na ocasião, imagens publicadas nas redes sociais mostram que ela estava acompanhada do namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel.
Segundo autoridades da Região Norte do país, Dedel é apontado como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas no estado de Roraima. A proximidade entre os dois é um dos elementos centrais da investigação conduzida pelo Ministério Público.
A pedido do órgão, a Justiça decretou a prisão temporária de Layla e do namorado. O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Operação e mandados cumpridos
Além das prisões, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Marabá, no Pará. Um dos endereços alvo da operação foi a Academia da Polícia Civil, no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital, onde Layla mantinha um armário funcional.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio Costa, comentou o caso e afirmou que o crime organizado tenta se infiltrar em estruturas do Estado. “Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”, declarou.
Atuação ilícita após assumir o cargo
De acordo com o Ministério Público, em 28 de dezembro do ano passado, apenas nove dias após tomar posse como delegada na capital paulista, Layla teria atuado como advogada na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, município localizado a 523 quilômetros de Belém.
A conduta é considerada irregular e proibida tanto pelo Estatuto da Advocacia quanto por normas estaduais, que vedam expressamente a delegados de polícia o exercício da advocacia privada.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam que Layla utilizava o cargo de delegada para favorecer interesses da facção criminosa. Como integrante da Polícia Civil, ela teria acesso a inquéritos e a bancos de dados com informações restritas, o que poderia facilitar a atuação do grupo criminoso.
Suspeita de lavagem de dinheiro
As investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, Layla e o namorado teriam adquirido uma padaria no bairro de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com recursos de origem ilícita. O negócio estaria registrado em nome de um “laranja”, com o objetivo de ocultar a real propriedade do empreendimento.
O material apreendido durante a operação será analisado para aprofundar as apurações sobre a extensão da atuação do casal e eventuais conexões com outros integrantes da facção criminosa.