Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Ciro Nogueira é acusado de ter uma relação financeira com escândalo do INSS

Ciro Nogueira foi procurado por jornalistas para comentar o assunto, mas preferiu não se pronunciar.

Sexta, 02 de Outubro de 2026 às 16:34, por: CdB

Ciro Nogueira foi procurado por jornalistas para comentar o assunto, mas preferiu não se pronunciar.

Da Redação – de Brasília

Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) usou ao menos R$ 136,5 mil de verba do Senado para pagar uma empresa do advogado Willer Tomaz. Alvo da Polícia Federal (PF) no caso INSS, Tomaz é amigo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e teve negócios em comum com pessoas envolvidas no escândalo do Banco Master.

Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira (PP-PI)

O valor refere-se a um benefício de R$ 3,5 mil pago pelo Senado como complemento do auxílio-moradia, desde 2023, segundo apurou o site de notícias UOL, de propriedade do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), mudou-se para uma casa de 632 m² em Brasília, em abril de 2021, logo após o imóvel ser comprado, por R$ 4,5 milhões, por uma empresa de Tomaz.

Trata-se da WT Administração de Imóveis e Bens, destinatária dos recursos do Senado. A empresa também é dona de um apartamento que foi usado por Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial, segundo apurou a revista mensal Piauí. A WT comprou o imóvel de Fabiano Zettel, operador financeiro de Daniel Vorcaro, de acordo com a PF. Além dos R$ 3,5 mil, Ciro também recebia o auxílio-moradia em si, de R$ 5,5 mil mensais.

Suspeita

Procurado por repórteres, o Senado informou que os dois benefícios somente poderiam ser usados para o aluguel de um único imóvel. O fato elevaria o gasto público com a WT para R$ 9 mil por mês, ou R$ 350 mil durante o período, segundo cálculos do UOL —os recibos do auxílio-moradia, no entanto, são mantidos sob sigilo pela Casa.

Tanto o auxílio-moradia quanto seu complemento somente deixaram de ser pagos a Ciro em junho deste ano. No mês anterior, o senador foi alvo da PF, sob a suspeita de corrupção envolvendo o Master.

Ciro Nogueira foi procurado por jornalistas para comentar o assunto, mas preferiu não se pronunciar. O advogado Willer Tomaz, por sua vez, afirmou em nota que “os aluguéis são pagos diretamente por eles (inquilinos), e não cabe à locadora comentar sobre suas fontes de renda”.

Mansão

“A relação com os inquilinos é regida por contratos regulares, firmados a valores de mercado e protegidos por confidencialidade, nos termos da legislação de proteção de dados”, acrescentou a nota de Tomaz.

Ciro tem um apartamento em Brasília, declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo menos desde 2018. O total dos bens declarados pelo parlamentar nas eleições deste ano é de R$ 34,6 milhões.

Apesar de ter imóvel em Brasília, Ciro usou um imóvel funcional do Senado ao desde de junho de 2019 até abril de 2021. Nesse caso, o parlamentar não tem direito assegurado a receber auxílio-moradia.

 

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