A compradora, Arraf International, foi criada dois meses antes da venda e é administrada por Gustavo Frazão, advogado que atua para empresas do senador.
Por Redação – de Brasília
Agentes federais que investigam o possível envolvimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com o esquema criminoso do Banco Master passaram a investigar a transferência de uma fazenda avaliada em R$ 18,7 milhões para uma offshore sediada nos Emirados Árabes. A operação financeira reacendeu questionamentos sobre suas operações imobiliárias.

A compradora, Arraf International, foi criada dois meses antes da venda e é administrada por Gustavo Frazão, advogado que atua para empresas do senador. De acordo com a apuração da mídia conservadora, a Arraf tem sede em uma caixa postal na zona franca de Sharjah, considerada a área mais opaca dos Emirados Árabes Unidos para identificação de proprietários.
Pelo tipo societário, sabe‑se apenas que possui um único dono, cuja identidade não é pública. As leis locais permitem que empresas sejam integralmente controladas por estrangeiros. O advogado Gustavo Frazão, que assinou a escritura em nome da offshore, também é funcionário comissionado da Secretaria de Cidadania de Teresina, comandada pela mãe de Ciro Nogueira.
Despesas
Frazão advoga em outros 20 processos para outra empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A venda ocorreu no mesmo período em que, segundo a Polícia Federal (PF), Ciro teria recebido ao menos R$ 6 milhões do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro por meio de empresas ligadas ao dono do Banco Master. As investigações apontam pagamentos mensais, despesas pessoais e repasses indiretos ao senador.
Ciro afirma que nem ele nem familiares possuem empresas no exterior e diz que a fazenda pertence à mãe dele. Documentos da PF, porém, indicam que o parlamentar detém 99% do capital da Fazendas Reunidas Nogueira Lima, representada na escritura por seu irmão Raimundo, também investigado e apontado como administrador de empresas usadas para receber recursos do Master.
As operações imobiliárias se somam às suspeitas da PF de que Ciro atuou politicamente em favor de Vorcaro, incluindo a apresentação da chamada “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do FGC. No período, a CNLF adquiriu mansões e apartamentos de luxo. O senador nega ter recebido dinheiro ilícito ou ter reproduzido integralmente a emenda a pedido do ex‑banqueiro.