Lista de políticos e autoridades citadas será enviada ao STF para decisão de André Mendonça sobre rumos do inquérito.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
A Polícia Federal PF) intensificou os trabalhos em torno das investigações sobre as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e prepara uma lista de autoridades com foro privilegiado que poderão ser analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem da CNN Brasil, o material deve ser encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

A iniciativa ocorre após o magistrado solicitar à PF a identificação de autoridades que já aparecem ou podem vir a aparecer no inquérito. O caso tramita no STF devido à possível ligação política do empresário Daniel Vorcaro com nomes que ocupam cargos com prerrogativa de foro, como deputados, senadores, um governador e até ministros da própria Corte.
Mapeamento
Investigadores já reuniram menções a autoridades em conversas atribuídas a Vorcaro, incluindo trocas de mensagens com sua então noiva, Martha Graeff. Apesar disso, fontes da investigação indicam que, até o momento, essas citações não configuram, por si só, evidência de conluio ou participação direta em irregularidades.
O levantamento em curso busca separar menções circunstanciais de indícios mais robustos que possam justificar a abertura de apurações formais envolvendo autoridades com foro.
Perícia
Como parte da estratégia para aprofundar as apurações, a Polícia Federal analisa oito celulares pertencentes a Vorcaro, apreendidos durante operações da chamada Compliance Zero. Até agora, apenas dois aparelhos passaram por perícia completa.
A expectativa dos investigadores é que o conteúdo desses dispositivos ajude a esclarecer se há elementos suficientes para avançar na responsabilização de envolvidos e delimitar o alcance do esquema investigado.
Outro ponto considerado central para o avanço do caso é a possível delação premiada de Daniel Vorcaro. A defesa do empresário deve apresentar, ainda nesta semana, uma proposta de colaboração, que pode incluir nomes, datas e detalhes sobre as operações sob suspeita.
Além disso, o avanço das negociações de colaboração envolvendo o ex-presidente do Banco Regional de Brasília, Paulo Henrique Costa, também pode influenciar o rumo das investigações.
Um dos inquéritos relacionados ao caso tem prazo vigente até 18 de maio. A Polícia Federal, no entanto, já sinaliza que deve solicitar a prorrogação das investigações, diante da complexidade do caso e da possibilidade de surgirem novos elementos.
O relatório que será encaminhado ao ministro André Mendonça terá caráter informativo. Com base nele, o relator deverá decidir se partes do inquérito devem ser remetidas a instâncias inferiores ou se todo o processo permanece sob a competência do STF.
A definição será determinante para o ritmo e a abrangência das investigações, especialmente no que diz respeito à eventual responsabilização de autoridades com foro privilegiado.