Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Candidatos tentam resgatar votos entre os ausentes do primeiro turno

Os 8 milhões de eleitores que não votaram no Nordeste representam uma oportunidade para a campanha petista ampliar sua votação em uma região historicamente favorável ao presidente.

Quarta, 07 de Outubro de 2026 às 17:43, por: CdB

Os 8 milhões de eleitores que não votaram no Nordeste representam uma oportunidade para a campanha petista ampliar sua votação em uma região historicamente favorável ao presidente.

Por Redação – de São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ou filho ’01’ como também é conhecido, chegaram ao segundo turno da campanha presidencial com dois objetivos claros. O primeiro é buscar os mais de 9,3 milhões de brasileiros que escolheram candidatos derrotados e, segundo, os convencer os eleitores que não compareceram às urnas, incluindo 8 milhões no Nordeste, a depositar um voto no número 13.

Um dos objetivos dos candidatos é convencer os eleitores que não compareceram às urnas a votar no segundo turno

Segundo análise do diário conservador paulistano Folha de S.Paulo (FSP), as campanhas buscam ampliar suas bases após uma votação marcada pela menor diferença percentual entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno, desde a redemocratização do país.

No domingo, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%, uma distância de apenas 1,87 ponto percentual. Os demais presidenciáveis reuniram 7,81%. A abstenção alcançou o recorde de 33,4 milhões de pessoas, equivalente a 21,08% do eleitorado.

Ausentes

A tática para buscar esses votos, no entanto, é bem distinta. O candidato ’01′ tenta aproveitar a proximidade política com os concorrentes de direita que ficaram pelo caminho. Lula busca mobilizar eleitores ausentes, sobretudo em regiões onde mantém vantagem, diante da falta de aliados de maior peso entre os adversários eliminados.

Os 8 milhões de eleitores que não votaram no Nordeste representam uma oportunidade para a campanha petista ampliar sua votação em uma região historicamente favorável ao presidente. Mesmo com taxas inferiores à média nacional, estados onde Lula venceu registraram contingentes expressivos de ausentes.

Segmentos

Na Bahia, 2,2 milhões de pessoas deixaram de votar, uma abstenção de 19,97%. Em Pernambuco, foram 1,3 milhão, ou 18,17% dos eleitores aptos. Ceará e Maranhão também tiveram, cada um, mais de 1 milhão de ausentes.

Especialistas ouvidos pela FSP avaliam que o não comparecimento pode afetar mais o desempenho de Lula. A análise considera a maior incidência histórica de abstenção entre pessoas de menor renda e escolaridade, segmentos nos quais o petista tradicionalmente encontra apoio.

— A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre os menos escolarizados do que tinha em 2022. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará — avaliou o cientista político Antônio Lavareda, presidente da Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais (Abrapel).

Mobilização

Em 2022, predominavam nesse grupo homens, pessoas com menor escolaridade e eleitores entre 21 e 29 anos ou acima de 70 anos, faixa em que o voto é facultativo. Naquela época, a abstenção entre analfabetos chegou a 52% no primeiro turno e a 49,3% no segundo. Entre eleitores com ensino superior completo, a taxa de ausência na primeira votação foi de 12,4%.

Na segunda-feira, Lula apontou a mobilização dos ausentes como uma tarefa da campanha. Em sua declaração, o presidente mencionou 30 milhões de pessoas, abaixo do total registrado.

— Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu — acrescentou Lula.

Apoiadores do presidente também desenvolveram uma ferramenta chamada ‘Onde dá para conversar’. A iniciativa identifica seções eleitorais a partir dos registros de abstenção e da votação em candidatos que não chegaram ao segundo turno.

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