A eleição presidencial da Bulgária opõe Iliana Iotova, que prega negociações de paz e critica o envio de armas a Kiev, e Andrey Gyurov, abertamente pró-Ocidente e favorável à Ucrânia.
Por Redação, com RFI – de Sófia
Os búlgaros foram às urnas neste domingo para escolher o próximo presidente em uma eleição acirrada, influenciada pelas tensões no Mar Negro, pela segurança regional e pela situação econômica do país.

A eleição acontece após uma série de ataques com drones contra navios comerciais no Mar Negro, em outubro. Cerca de 30 pessoas estão desaparecidas, entre elas 21 após ataques registrados ao largo da costa búlgara. Os dois candidatos condenaram os episódios.
O governo búlgaro afirma que ainda não existem provas que permitam atribuir diretamente os ataques a Moscou. O caso, no entanto, aumentou a preocupação com a possibilidade de a guerra na Ucrânia afetar outros países da região.
Iotova defende negociações para encerrar o conflito e se apresenta como uma “presidente da paz”. Durante um debate na televisão, afirmou que “a paz só pode vir por meio de negociações” e criticou o aumento do envio de armas à Ucrânia. A candidata também reafirma o compromisso da Bulgária com a União Europeia e a Otan, mas defende uma política externa baseada no interesse nacional.
Ao votar em uma escola de Sófia, Iotova afirmou ter votado por uma Bulgária “forte dentro de uma Europa forte”. Gyurov representa uma posição mais alinhada aos países ocidentais. Apoiado pela oposição pró-europeia e por partidos reformistas, ele defende uma política externa mais próxima dos aliados da Bulgária e mantém uma posição firme de apoio a Kiev.
Durante a campanha, criticou Iotova por não responsabilizar diretamente Moscou pelos ataques no Mar Negro. “A Rússia precisa interromper sua agressão para que os próximos passos possam ser dados”, afirmou. Gyurov recebeu ainda o apoio de importantes políticos de direita, entre eles o ex-primeiro-ministro Boiko Borisov.
Uma sociedade dividida
A disputa eleitoral expõe uma divisão histórica da sociedade búlgara. O país mantém laços históricos com Moscou, mas desde 2004 integra a Otan e, desde 2007, a União Europeia. A guerra intensificou esse debate e colocou no centro da campanha questões como segurança, política externa e o papel da Bulgária dentro do bloco ocidental.
A economia também pesa na escolha. A Bulgária é o país mais pobre da União Europeia, e Iotova prometeu combater o que chamou de “terrível problema da pobreza”. O primeiro turno foi marcado por uma participação historicamente baixa: apenas 23% dos eleitores foram às urnas.
No segundo turno, o comparecimento continuou reduzido. Até as 11 horas da manhã, apenas 6,1% dos eleitores haviam votado, segundo a Comissão Eleitoral, contra 5,8% no mesmo horário do primeiro turno.
Poder presidencial limitado
A Presidência búlgara tem poderes mais limitados do que o governo. A Bulgária é uma república parlamentar, e o primeiro-ministro concentra a maior parte do poder executivo. Ainda assim, o presidente exerce influência em áreas como política externa e defesa — temas particularmente sensíveis diante das tensões atuais na região.
Se vencer, Iliana Iotova será a primeira mulher eleita presidente da Bulgária, um marco histórico no país de cerca de 6,4 milhões de habitantes. Os primeiros resultados de boca de urna devem ser divulgados após o fechamento das urnas, e o resultado oficial é esperado nesta segunda-feira.