Rio de Janeiro, 24 de Março de 2026

Campos Neto entra na alça de mira da PF, no caso Master

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, é investigado pela PF sobre irregularidades no Banco Master. Descubra mais sobre o caso e suas implicações.

Terça, 24 de Março de 2026 às 20:02, por: CdB

O inquérito visaria determinar o nível de conhecimento da autoridade monetária sobre as irregularidades envolvendo a instituição no momento em que as operações receberam aprovação oficial.

Por Redação – de Brasília

O ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto entrou, definitivamente, na alça de mira da Polícia Federal (PF). O papel exercido pelo executivo nos processos que autorizaram a venda e a reestruturação de ativos ligados ao Banco Master passaram a ser investigados, a partir desta terça-feira, segundo informação vazada para a mídia brasiliense.

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O inquérito visaria determinar o nível de conhecimento da autoridade monetária sobre as irregularidades envolvendo a instituição no momento em que as operações receberam aprovação oficial. Segundo o jornalista Paulo Cappelli, do site de notícias ‘Metrópoles’, os investigadores trabalham com duas hipóteses centrais.

Na primeira, Campos Neto pode ter sido induzido ao erro por integrantes da própria estrutura do BC ou, na segunda possibilidade, teria ciência das inconsistências e mesmo assim autorizado as transações. A suspeita é de que diretores teriam recorrido a práticas como falsificação de assinaturas e adulteração de documentos para ocultar a real situação financeira do banco, que pertencia a Daniel Vorcaro.

 

Operações

As investigações apontam ainda para um esquema considerado altamente sofisticado, projetado para resistir a auditorias tradicionais e contornar os mecanismos de controle do sistema financeiro nacional. A complexidade das operações sugere a atuação coordenada de agentes dos setores público e privado, o que teria permitido mascarar inconsistências contábeis relevantes sob uma aparência de legalidade durante o processo de aprovação da venda.

Roberto Campos Neto esteve à frente do Banco Central entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2024, após indicação de Jair Bolsonaro (PL). O período coincide com as operações do Banco Master que agora estão sob escrutínio das autoridades.

No estágio atual, a Polícia Federal concentra esforços no cruzamento de dados de comunicações internas e na análise pericial de documentos digitais. O objetivo é reconstruir a cadeia de decisões dentro da cúpula do BC e entender como possíveis falhas ocorreram em uma estrutura considerada robusta em termos de compliance.

 

‘BolsoMaster’

Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), no entanto, a ampliação das investigações sobre o papel de Campos Neto no escândalo, confirma o chamado ‘BolsoMaster’, que envolveria nomes graduados do governo anterior no desvio de dinheiro do sistema financeiro nacional. Em vídeo, divulgado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que Campos Neto não apresentou explicações convincentes ao comentar o caso pela primeira vez após um período de silêncio.

Na declaração Lindbergh relaciona a atuação do ex-presidente do BC a uma série de alertas institucionais e investigações em curso. Segundo Farias, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu procedimento administrativo contra dois funcionários citados no caso, o que teria forçado Campos Neto a se manifestar.

— O Roberto Campos Neto saiu da toca, falou pela primeira vez, depois de muito tempo de silêncio, sobre o escândalo do Banco Master e, sinceramente, não explicou nada. O cerco está se fechando. Ele teve que responder porque a CGU abriu um procedimento administrativo contra aqueles dois funcionários, Paulo Sérgio e Belline Santana, que foram pegos, eram cúmplices do Vorcaro, estão com tornozeleira eletrônica — resumiu o deputado.

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