A investigação aponta que o grupo se aliou ao Comando Vermelho e transformou a região em rota estratégica para expansão territorial dos criminosos.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Policiais civis e militares realizaram, nesta sexta-feira, a Operação Pseudo Cacique, contra integrantes da facção Amigo dos Amigos (ADA) que atuam na comunidade do Jardim Novo, em Realengo, Zona Oeste do Rio. Seis homens foram presos.

A investigação aponta que o grupo se aliou ao Comando Vermelho (CV) e transformou a região em rota estratégica para expansão territorial dos criminosos.
A ação é coordenada pela 44ª DP (Inhaúma) e conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de unidades dos Departamentos-Gerais de Polícia da Capital (DGPC) e Especializada (DGPE).
Após 10 meses de investigação, a Polícia Civil identificou que integrantes da ADA passaram a atuar em conjunto com criminosos do CV, fortalecendo a presença das facções na Zona Oeste. Segundo as investigações, o Jardim Novo é considerado ponto estratégico por fazer divisa com a Taquara e estar próximo à Cidade de Deus, área dominada pelo Comando Vermelho.
As apurações também indicam que o chefe do tráfico no Complexo do Jardim Novo é apontado como responsável por grande parte dos roubos de veículos e cargas na região.
Além disso, o grupo impõe ameaças constantes à população, cobrando taxas ilegais de comerciantes e controlando, de forma coercitiva, serviços como fornecimento de gás, água e internet.
De acordo com a polícia, os criminosos atuam com armamento de guerra e utilizam violência para intimidar moradores, ampliando o clima de medo na comunidade.
Com base nas provas reunidas, a Justiça expediu 24 mandados de prisão contra integrantes da organização, incluindo lideranças do grupo.
Crime organizado
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, na quinta-feira, uma operação em cinco unidades prisionais do estado com o objetivo de combater a atuação do crime organizado na Região dos Lagos. A ação, batizada de “Controle Remoto”, teve como foco a apreensão de celulares utilizados por lideranças do tráfico para comandar atividades criminosas à distância. As informações foram divulgadas pelo próprio MPRJ.
De acordo com o órgão, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito de investigação conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Armação dos Búzios. A medida mira suspeitos de continuar articulando crimes mesmo após a prisão, especialmente nas cidades de Búzios, Cabo Frio e municípios vizinhos.
Durante a operação, agentes apreenderam celulares, pen drives, chips de operadoras e cadernos com anotações. O objetivo é interromper a cadeia de comando do tráfico que, segundo as investigações, continua ativa dentro das unidades prisionais.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara das Garantias e cumpridos pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, em conjunto com a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). As buscas ocorreram nos presídios Gabriel Ferreira de Castilho, Alfredo Tranjan, João Carlos da Silva, Tiago Teles de Castro Domingues e na Cadeia Pública Paulo Roberto Rocha.
Violência
A ofensiva do Ministério Público ocorre em meio ao aumento expressivo da violência na Região dos Lagos. Segundo a Promotoria, em menos de dois meses foram registrados diversos confrontos entre facções criminosas, resultando em 37 pessoas baleadas — sendo dez mortes e 27 feridos.
As investigações apontam que a escalada da violência está ligada à tentativa de expansão territorial da facção Comando Vermelho, que busca ampliar sua atuação em Búzios e Cabo Frio.
Relatórios do 25º BPM (Cabo Frio) indicam que lideranças do tráfico, mesmo presas, seguem influenciando diretamente as ações criminosas. Entre as estratégias identificadas estão o aliciamento de integrantes de facções rivais e o comando de operações nas ruas por meio de celulares.
Ainda segundo o MPRJ, o interesse do grupo criminoso vai além do tráfico de drogas. A facção também busca controlar serviços ilegais ou informais, como distribuição de gás, internet e transporte, ampliando suas fontes de lucro na região.
A atuação remota dos líderes presos, principalmente via aparelhos telefônicos, é considerada o eixo central da investigação, que segue em andamento.