Rio de Janeiro, 20 de Março de 2026

Ação policial tem como alvo tráfico no Morro do 18

Operação da Polícia Militar no Morro do 18 visa combater o tráfico de drogas em área estratégica controlada pelo Comando Vermelho. Confira os detalhes.

Sexta, 20 de Março de 2026 às 13:56, por: CdB

Apesar de não ser uma comunidade de grande extensão territorial, o Morro do 18 é considerado estratégico por facções criminosas.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Militar faz uma operação, nesta sexta-feira, no Morro do 18, Zona Norte do Rio. Há relatos de tiroteio na região.

Ação policial tem como alvo tráfico no Morro do 18 | Polícia Militar intensifica ação no Morro do 18
Polícia Militar intensifica ação no Morro do 18

A ação é conduzida por policiais do 3º BPM (Méier) e tem como objetivo coibir a atuação do tráfico na localidade. Vídeos publicados nas redes sociais mostra um blindado da corporação sendo atacado por criminosos. Até o momento, ninguém foi preso.

Apesar de não ser uma comunidade de grande extensão territorial, o Morro do 18 é considerado estratégico por facções criminosas. Isso porque a região possui ligação com comunidades vizinhas por meio de trilhas, o que facilita a fuga e a circulação, garantindo vantagem no controle da área.

Atualmente, o território é dominado pelo Comando Vermelho (CV), que atua na região desde 2017.

Antes disso, a localidade foi controlada pelo miliciano Edmilson Gomes Menezes, conhecido como Macaquinho, que também chefiava os morros do Campinho e do Fubá. Ele mantinha aliança com o traficante Walace de Brito Trindade, o Lacoste da Serrinha, ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP).

Segundo a polícia, o tráfico na região vem adotando práticas semelhantes às de milícia, como a cobrança de taxas a moradores e comerciantes.

A operação segue em andamento.

Morro dos Prazeres

A morte do ajudante de cozinha Leandro Silva Souza, de 30 anos, durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres, na região central do Rio de Janeiro, é cercada por versões conflitantes entre a corporação e a viúva da vítima.

Enquanto a Polícia Militar sustenta que criminosos invadiram o imóvel e fizeram o casal refém, a esposa de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, nega a versão oficial e afirma que os agentes entraram atirando.

Ela também relata que não houve troca de tiros e acusa um policial de orientá-la a atribuir os disparos aos criminosos em depoimento.

A ação ocorreu na quarta-feira e foi conduzida pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) com apoio da Subsecretaria de Inteligência da PM, com o objetivo de localizar suspeitos envolvidos em roubos de veículos.

Segundo a corporação, criminosos teriam invadido a casa de Leandro e feito ele e a esposa reféns. A PM afirma que houve tentativa de negociação antes de um confronto armado dentro da residência.

De acordo com o comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, os agentes foram recebidos a tiros no momento em que buscavam uma solução pacífica. Ele afirmou que Leandro foi atingido durante o início do confronto.

Ainda segundo a Polícia Militar, seis suspeitos foram mortos na casa durante a operação, além de Leandro. Um policial do Bope também teria sido baleado no ombro durante a ação.

Relato da viúva

Roberta Ferro Hipólito, que estava na residência no momento da operação, afirma que não houve negociação nem confronto com criminosos dentro do imóvel.

Segundo ela, os policiais ordenavam que armas fossem entregues e, em seguida, teriam utilizado uma granada para invadir o local, passando a disparar.

A viúva sustenta que o único tiro ouvido dentro da casa partiu da polícia e que não houve qualquer reação armada por parte dos suspeitos.

Ela também afirma que os agentes não questionaram a presença de moradores antes da invasão.

A esposa de Leandro declarou ainda que um policial teria sugerido que ela dissesse, em depoimento, que o marido foi baleado por criminosos, versão que ela nega.

Roberta também contesta o número de suspeitos informado pela PM, afirmando que quatro homens estavam na casa e que três morreram sem reagir.

Após a operação, familiares relataram o desaparecimento dos documentos da vítima, o que tem dificultado o traslado do corpo para o Piauí, estado de origem de Leandro.

Imagens registradas por moradores mostram o interior da residência com marcas de tiros, cápsulas de fuzil espalhadas e vestígios de sangue.

Além das mortes na residência, a operação resultou na morte de Claudio Augusto dos Santos, conhecido como “Jiló dos Prazeres”, apontado como chefe do tráfico local.

Segundo a polícia, ele possuía diversos mandados de prisão em aberto e um extenso histórico criminal, com registros por crimes como tráfico de drogas, sequestro e cárcere privado.

Jiló também era investigado por envolvimento na morte do turista italiano Roberto Bardella, em 2016, na mesma comunidade.

Investigação 

O caso está sendo apurado pela Delegacia de Homicídios da Capital, que conduz a investigação sobre as circunstâncias da morte de Leandro.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro solicitou acesso às imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos e acompanha os exames periciais realizados no Instituto Médico Legal.

A Polícia Militar informou que abriu procedimento interno para apurar a ocorrência, e já esclareceu que os agentes utilizavam câmeras corporais no momento da operação, mas descarregadas, não funcionaram. Eles foram preventivamente afastados das ruas pela corporação.

Até o momento, a corporação comentou as acusações feitas pela viúva informando que tudo será apurado sobre a ocorrência.

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