De todos os textos vistos na imprensa e canais sobre a atual crise na FIFA, envolvendo diretamente seu presidente Gianni Infantino, dois me pareceram os mais apropriados e ambos foram utilizados no lead do jornal online francês Mediapart, por isso os transcrevo:
1. “sua corrida desenfreada rumo à mercantilização e seu alinhamento exagerado com Donald Trump acabaram por desmonetizá-lo”;
2. “Como um jogador de pôquer embriagado pelos seus ganhos, Gianni Infantino tentou a jogada além da conta”.
Por Rui Martins, editor do Direto da Redação

Mas quem é Gianni Infantino, o suíço-italiano filho de imigrantes italianos na Suíça, casado com uma libanesa, o poderoso presidente da FIFA, a poderosa federação dirigente do futebol mundial, que poderia ser caricaturado de chuteiras, calção e camiseta mas, na verdade, se trata de um ditador de terno e gravata que – acabam de descobrir seus diretores e conselheiros – decide tudo sózinho como nesse plano de privatização da FIFA.
Não é o caso de Infantino, mas ele criou uma onda de choque no futebol mundial ao anunciar a privatização das Copa do Mundo com a criação de uma sociedade privada aberta a capitais privados a FFF, FIFA Forward Entreprise, destinada a administrar suas atividades comerciais, podendo reunir mais de 10 bilhões de dólares. Uma revolução numa organização destinada ao desenvolvimento do futebol mundial mas sem fins lucrativos.
Ora, a direção desse grupo de investidores ficaria com Joshua Kushner, irmão do genro de Trump, Jared Kushner.
Tão logo esse projeto financeiro foi anunciado, para ser aprovado, gerando 40 milhões de dólares para as associações nacionais da FIFA, houve uma reação contrária, primeiro da UEFA que prometeu boicotar a próxima Copa do Mundo do Futebol Feminino de 2027 no Brasil, seguida pela Concacaf. Só não reagiram contra as associações sul-americanas, como a CBF, e as africanas.
Referências:
Mediapart
https://www.mediapart.fr/journal/international/020826/les-jours-comptes-de-gianni-infantino-la-tete-du-football-mondial
The Times:
https://www.thetimes.com/sport/football/article/world-cup-for-sale-gianni-infantino-fifa-wdvtsqfc6
Rui Martins, é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.