Trump recuou abruptamente na quarta-feira de sua ameaça de tarifas sobre oito nações europeias, descartou o uso da força para tomar a Groenlândia.
Por Redação, com Reuters – de Bruxelas
Líderes da União Europeia repensarão seus laços com os Estados Unidos em uma cúpula de emergência nesta quinta-feira, depois que a ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de tarifas e até mesmo de uma ação militar para adquirir a Groenlândia abalou gravemente a confiança na relação transatlântica, disseram diplomatas.

Trump recuou abruptamente na quarta-feira de sua ameaça de tarifas sobre oito nações europeias, descartou o uso da força para tomar a Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca, país-membro da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), e sugeriu que um acordo estava à vista para encerrar a disputa.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, saudando o recuo de Trump em relação à Groenlândia, pediu aos europeus que não se precipitassem em descartar a parceria transatlântica.
Mas governos da UE permanecem cautelosos quanto a outra mudança de opinião de um presidente inconstante, que é cada vez mais visto como um valentão que a Europa terá de enfrentar, e estão concentrados em elaborar um plano de longo prazo sobre como lidar com os Estados Unidos durante esse governo e, possivelmente, também com seus sucessores.
– Trump atravessou o Rubicão. Ele pode fazer isso novamente. Não há como voltar ao que era antes. E líderes discutirão isso – disse um diplomata da UE, acrescentando que o bloco precisa se afastar de sua forte dependência dos EUA em muitas áreas.
– Precisamos tentar mantê-lo (Trump) por perto enquanto trabalhamos para nos tornarmos mais independentes dos EUA. É um processo, provavelmente longo – disse o diplomata.
Após décadas de dependência dos Estados Unidos para a defesa dentro da Otan, a UE não tem as capacidades necessárias de inteligência, transporte, defesa antimísseis e produção para se defender de um possível ataque russo. Isso dá aos EUA uma vantagem substancial.
EUA
Os EUA também são o maior parceiro comercial da Europa, o que torna a UE vulnerável às políticas de Trump de impor tarifas para reduzir o déficit comercial de mercadorias de Washington e, como no caso da Groenlândia, para atingir outros objetivos.
– Precisamos discutir onde estão as linhas vermelhas, como lidamos com esse valentão do outro lado do Atlântico, onde estão nossos pontos fortes – disse um segundo diplomata da UE.
– Trump disse que não vai impor tarifas hoje, mas isso significa que também não vai impor tarifas amanhã, ou será que ele vai mudar de ideia rapidamente? Precisamos discutir o que fazer então – disse o segundo diplomata.
A UE estava considerando um pacote de tarifas retaliatórias sobre 93 bilhões de euros (US$ 108,74 bilhões) em importações dos EUA ou medidas anti-coercitivas se Trump tivesse ido em frente com suas próprias tarifas, embora sabendo que tal medida prejudicaria a economia da Europa, bem como a dos Estados Unidos.
Vários diplomatas observaram que ainda havia poucos detalhes sobre o novo plano para a Groenlândia, acordado entre Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na noite de quarta-feira, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
– Nada mudou muito. Ainda precisamos ver os detalhes do acordo sobre a Groenlândia. Estamos um pouco fartos de toda a intimidação. E precisamos agir em relação a algumas coisas: mais resiliência, unidade, organizar nossas coisas no mercado interno, competitividade. E não aceitar mais a intimidação tarifária – disse um terceiro diplomata.
Rutte disse à agência inglesa de notícias Reuters em uma entrevista em Davos nesta quinta-feira que, sob o acordo-quadro que ele alcançou com Trump, os aliados ocidentais teriam que aumentar sua presença no Ártico.
Ele também disse que as conversas continuariam entre a Dinamarca, a Groenlândia e os EUA sobre questões específicas.