Ambos estavam sob custódia israelense desde o fim de abril por liderar uma missão voltada a furar o bloqueio naval contra a Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária à população palestina.
Por Redação, com BdF – do Cairo
O ativista brasileiro Thiago Ávila e o hispano-palestino Saif Abukeshek, que foram detidos ilegalmente pelas forças armadas de Israel em águas internacionais, perto da costa da Grécia, no âmbito da operação contra a Flotilha Global Sumud, deixaram o país neste domingo e já se encontram na capital do Egito.

Ambos estavam sob custódia israelense desde o fim de abril por liderar uma missão voltada a furar o bloqueio naval contra a Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária à população palestina. Parte da flotilha foi interceptada perto da ilha grega de Creta, porém Àvila e Abukeshek foram os únicos ativistas levados para Israel, uma vez que os demais detidos foram liberados em território grego.
Os prisioneiros denunciram maus-tratos por parte das forças israelenses.
“Desde o sequestro em águas internacionais até a detenção ilegal em isolamento total e os maus-tratos a que foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, diz um comunicado dos advogados do brasileiro e do hispano-palestino.
Tortura
“O uso de detenção, interrogatório e tortura contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, acrescenta a nota.
Ávila foi expulso em direção ao Cairo, capital do Egito, enquanto Abukeshek embarcou em um voo com destino à Espanha, com conexão na Grécia.
— Tenho certeza que o tratamento que enfrentei não é nada comparado aos sofrimentos dos palestinos. Temos de continuar nos mobilizando até que a Palestina seja livre — disse Abukeshek em um vídeo publicado no Instagram.
Gaza
A defesa dos ativistas é realizada pelo Centro Jurídico Adalah, organização apartidária e sem fins lucrativos sediada em Israel para defender palestinos e faz parte da Federação Internacional para Direitos Humanos (FIDH, na sigla em inglês).
No sábado, ainda sem informações sobre o destino de Ávila, uma carta da prisão enviada por meio da diplomacia brasileira, foi postada em sua página oficial. Nela, o ativista diz não temer prisão ou tortura e volta a denunciar o genocídio praticado pelo estado de Israel contra a Palestina.
“A próxima semana é muito importante porque marca décadas de um processo contínuo de genocídio e limpeza étnica contra os palestinos, que se estruturou em um Estado colonial de apartheid e que é liderado não por uma religião, mas por uma ideologia racista e supremacista chamada sionismo. A Nakba nunca terminou!“, concluiu.