Além do ativista brasileiro, o espanhol Saif Abu Kashek também aguardava a soltura e posterior deportação.
Por Redação, com BdF – de Tel Aviv
O ativista brasileiro Thiago Ávila, preso por Israel no mês passado, foi solto neste sábado e deverá ser deportado para o Brasil, nos próximos dias. A informação é de advogados do Centro de Direitos Humanos Adalah, que presta assistência jurídica e acompanha o caso nos tribunais israelenses.

Além do ativista brasileiro, o espanhol Saif Abu Kashek também aguardava a soltura e posterior deportação. Ambos foram presos ilegalmente quando tropas israelenses atacaram um navio da Global Sumud Flotilla, que levava alimentos e itens básicos de sobrevivência para a população de Gaza.
“Hoje, sábado, 9 de maio, o Shabak (agência de inteligência israelense) informou a equipe jurídica do @adalah.legal.center, uma organização membro da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), que os dois líderes da Flotilha Global Sumud serão transferidos para as autoridades de imigração ainda hoje, aguardando deportação para seus países de origem”, diz o comunicado divulgado pelo Adalah.
Tribunal
Ainda segundo o comunicado, os interrogatórios contra Thiago Ávila e Saif Abukeshek terminaram, após os dois terem sido mantidos em isolamento total “sob condições punitivas e submetidos a maus-tratos e tortura, apesar de sua missão ser inteiramente civil”, acrescentam os advogados.
O Adalah disse ainda que está acompanhando de perto a situação. Thiago e Saif estão em greve de fome desde o início da detenção. Na terça-feira o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, de Israel, havia prorrogado a prisão dos ativistas até este domingo. A decisão é do juiz Yaniv Ben-Haroush.
A extensão da prisão do ativista brasileiro foi criticada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que a classificou como injustificável. Em publicação nas redes sociais, Lula disse que a ação do governo de Israel causou grande preocupação e que deveria ser condenada por todos.
O presidente brasileiro acrescentou que somente a detenção dos ativistas da flotilha Global Sumud já havia representado uma séria afronta ao direito internacional. Por isso, os governos do Brasil e da Espanha exigiram que os ativistas recebessem plena garantia de segurança e fossem imediatamente soltos.
Violência
Ávila foi levado a Israel enquanto mais de 100 outros ativistas pró-palestinos, a bordo de cerca de 20 barcos, foram deixados na ilha grega de Creta.
Ávila e outras seis pessoas compõem a delegação brasileira da flotilha. O grupo partiu de Barcelona, com destino a Gaza, em 12 de abril.
Em outubro do ano passado, os militares israelenses já haviam abordado uma flotilha da organização e prenderam mais de 450 participantes, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg.