Rio de Janeiro, 03 de Junho de 2026

Soberania Nacional e Entreguismo: os descaminhos de um candidato

Análise crítica sobre a relação entre o entreguismo e a soberania nacional em meio às contradições de um candidato que se apresenta como defensor da pátria.

Quarta, 03 de Junho de 2026 às 09:36, por: CdB

Encontros com Trump, defesa de medidas contra o Brasil e elogios a Lula expõem contradições de quem se apresenta como defensor da pátria.

Por Abraham B. Sicsú – de Brasília

No último dia 27, estou lendo material na UOL de Mariana Sanches. As trapalhadas da visita de um candidato ao Presidente dos Estados Unidos. Antes de comentar a material, algumas considerações fazem-se necessárias.

Soberania Nacional e Entreguismo: os descaminhos de um candidato | Flávio Bolsonaro em ato pró anistia para golpistas em Brasília 
Flávio Bolsonaro em ato pró anistia para golpistas em Brasília 

Entendemos como Soberania Nacional o legítimo direito de uma nação tomar decisões independentes e governar dentro de suas próprias fronteiras, sem submissão a interferências externas, levando em consideração os interesses de sua população.

Ao contrário, Entreguismo é uma postura que prioriza interesses externos em detrimento da busca de um desenvolvimento nacional autônomo. Um modo de ver o mundo que leva a uma prática política que defende a entrega de matérias primas, empresas estratégicas e poder de decisão em assuntos internos aos interesses externos, os quais consideram superiores e mais qualificados para orientar o desenvolvimento da nação.

Por exemplo, no período de 2019 a 2022, governo Jair Bolsonaro, a lógica para o governar do país tinha como direcionamento a venda de ativos estatais, as privatizações, políticas de aproximação aos interesses estrangeiros, principalmente americanos, que apontavam para que os interesses externos eram superiores no encaminhar das questões nacionais. O resultado, é claro, o desmantelamento de setores estratégicos como o do petróleo, vendas de refinarias e da distribuição, que tantos problemas nos causam hoje.

Para os “entreguistas”, desenvolvimento deveria ser buscado com a redução das disparidades em relação aos países centrais, busca de ter o mesmo padrão de organização sócio-política, poderio econômico, poderio militar e bem estar social, o que só poderia ser alcançado com a submissão aos países líderes, basicamente aos Estados Unidos da América.

 O fascínio com o padrão de sucesso pessoal, com os hábitos de consumo, com o conforto e comodidade das classes abastadas daqueles países, mais que justificaria, na opinião deles, uma sociedade desigual em que a maioria da população está alijada dos frutos do desenvolvimento. Isso, novamente para eles, é problema dos que não conseguiram, por “ineficiências próprias”, melhor se posicionar.

Essa visão justifica que um Deputado Fujão como Eduardo defenda publicamente uma medida evidentemente contrária à população brasileira como o “tarifaço” que foi aplicado no início do governo Trump sobre as exportações brasileiras. Com uma ironia desavergonhada justificou que essas medidas, 50% de taxas adicionais sobre nossos produtos, não tinham motivação econômica, mas política, por contrariarmos os interesses da nação líder.

STF

Aproveitou para atacar o STF, que em um julgamento transparente condenou seu pai, e chamar a medida de “Tarifa Moraes”. Alusão ao ministro do Supremo. Como bom chantagista bufão se arvorou, chamou para si o “mérito” de ser o causador da medida que tanto nos prejudicava, e dizer que só seria revogada quando seu pai fosse solto.

Ledo engano, menosprezou a capacidade de negociação do Governo Brasileiro, nossa diplomacia, sem abrir mão de nossa Soberania. Foi revogada em grande parte.

Voltemos à matéria de Mariana Sanches. A família Bolsonaro, que com a mesma subserviência anterior procura retornar ao poder, marca um encontro de seu candidato com o presidente americano. Uma foto sai em toda a imprensa. Apenas uma foto em que o dito candidato aparece de pé e o de lá comodamente sentado, como se o brasileiro fosse um guarda costas do americano, reflete uma relação de subserviência.

A partir do encontro, uma declaração é dada.

A declaração de Flávio mostra o quão submissos são. O que pediu foi transformar as facções criminosas, que têm sido e são combatidas com rigor no país, além de propostas no Congresso que prometem enrijecer mais, para organizações terroristas. Sabe ele que isso levaria à possibilidade de intervenção militar no Brasil e seria uma ameaça profunda á nossa Soberania. Novamente um movimento de entreguismo.

O que ele não revelou é que a conversa não se reduziu a isso. Trump fez constantes elogios ao Presidente Lula. Diz a jornalista:

“Eu apurei que houve muito mais além dessa questão de PCC e CV. Entre os assuntos, inclusive, surgiu uma conversa sobre o presidente Lula. Donald Trump perguntou o que Lula tinha falado sobre a reunião que teve no começo do mês, no começo de maio, aqui na Casa Branca, uma reunião de três horas entre os dois presidentes do Brasil e dos Estados Unidos. E aí, neste momento, então, os brasileiros disseram que o Lula disse que a reunião tinha sido boa, e Trump disse que era verdade, que tinha sido uma reunião boa, embora eles não tivessem acertado nenhum acordo, assinado nada.”

E mais: “O Trump teria dito que o Lula aparentava ser muito velho, mas que, quando ele falava e agia, ele passava uma impressão diferente, de uma pessoa muito dinâmica e de uma pessoa muito esperta. Portanto, Donald Trump fez elogios ao Lula diante de Flávio Bolsonaro, foi isso que aconteceu. “

Mesmo os presentes protocolares que, sabemos muito bem, camisas da seleção brasileira, tentando novamente se apoderar de símbolos nacionais, não puderam entrar na reunião por questões de segurança e ser entregues na hora, frustrando as pretensões mal intencionadas do senhor Flávio.

Nada disso poderá desviar as atenções das inexplicáveis relações entre o Mestre da Rachadinha e o senhor Vorcaro, nada disso apagará o fato escancarado que muito ainda terá de ser explicado à sociedade.

Um teatro que revela apenas farsas.

 

Abraham B. Sicsú, é professor aposentado do Departamento de Engenharia de Produção da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e pesquisador aposentado da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco).

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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