O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu aos líderes do G7, reunidos em Évian-les-Bains, na França, uma “resposta decisiva e substancial” à ofensiva russa.
Por Redação, com RFI – de Kiev
Ao menos 11 pessoas morreram nesta segunda-feira em ataques russos contra várias cidades da Ucrânia. Os bombardeios provocaram um incêndio na catedral da Dormição, localizada no complexo do Mosteiro das Cavernas. O edifício ortodoxo de Kiev, construído no século XI e tombado como patrimônio mundial da Unesco, teve a fachada destruída e o teto parcialmente danificado.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu aos líderes do G7, reunidos em Évian-les-Bains, na França, uma “resposta decisiva e substancial” à ofensiva russa. Segundo ele, Moscou atacou “deliberadamente” o bairro da catedral em Kiev. O Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) informou ter recuperado destroços de um drone russo Gueran-2 no local do impacto.
“Dois drones russos atacaram deliberadamente essa parte da cidade onde fica a Lavra (das Cavernas de Kiev) e o Mystetskyi Arsenal”, um museu localizado próximo ao mosteiro, escreveu Zelensky nas redes sociais, após visitar o local.
Mais cedo, o líder ucraniano já havia condenado a ofensiva em uma mensagem publicada no X. “Este ataque contra a Lavra é um ataque contra a comunidade cristã e contra o patrimônio cultural da humanidade. Nada pode justificá-lo”, denunciou.
Zelensky pediu que a comunidade internacional pressione a Rússia e reforce o apoio à defesa antiaérea ucraniana.
A Unesco condenou o ataque, que “teria causado danos importantes dentro e fora da catedral da Dormição”. “Estruturas históricas adjacentes, incluindo elementos do complexo fortificado da Lavra e a torre Ivan Kushnik, também teriam sido atingidas”, informou a Unesco em comunicado.
– Nada justifica esse ataque contra nosso patrimônio universal – reagiu o presidente francês Emmanuel Macron no X.
O metropolita Epifânio de Kiev, primaz da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, denunciou um “crime contra a humanidade, a história e a cristandade”. Dezenas de caminhões do corpo de bombeiros foram mobilizados para combater as chamas.
Segundo um socorrista ouvido no local, o interior do edifício, reconstruído após sua destruição durante a Segunda Guerra Mundial, foi preservado. “A maior parte dos danos se concentra no telhado. Estamos retirando os escombros e removendo os itens danificados”, explicou.
O Ministério da Defesa russo negou ter visado a catedral, que também tem grande importância religiosa para a Rússia, e afirmou que ela foi atingida por um míssil Patriot de fabricação americana, pertencente à defesa antiaérea ucraniana.
Locais atingidos
A catedral da Dormição de Kiev já havia sido danificada duas vezes por ataques russos, segundo Kiev. A Lavra das Cavernas, um mosteiro de cúpulas douradas emblemáticas, esteve no centro de um conflito religioso nos últimos anos após a expulsão de seus monges, acusados de vínculos com Moscou.
Além da catedral, os ataques russos da noite atingiram o histórico estúdio de cinema Dovjenko, em Kiev, o Museu de Belas Artes de Kharkiv e a Casa da Música em Dnipro, de acordo com o chanceler ucraniano Andrii Sybiha. Na semana passada, um ataque ucraniano danificou o panorama do cerco de Sebastopol, na Crimeia, obra do pintor Franz Roubaud, segundo autoridades locais.
Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou um total de 70 mísseis e 611 drones, tendo como principal alvo a capital. Pelo menos 50 mísseis e 582 drones foram interceptados. Em Kiev, ao menos cinco pessoas morreram e 35 ficaram feridas, informou o prefeito Vitali Klitschko. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, quatro socorristas e um funcionário municipal morreram e nove pessoas ficaram feridas, segundo o ministro do Interior, Igor Klymenko.
Uma pessoa também morreu pela manhã em um ataque contra Kherson, no sul da Ucrânia, afirmou o governador local Oleksandr Prokudin. Na Rússia, um ataque de drones ucranianos contra Tula, ao sul de Moscou, deixou ao menos três mortos, segundo autoridades locais.
Negociações
A Rússia prometeu ataques massivos “sistemáticos” contra a Ucrânia após um bombardeio ucraniano a um dormitório escolar em território ocupado que deixou 21 mortos. Mais de quatro anos após o início da invasão russa, a situação aproxima de um impasse, e os esforços diplomáticos sob mediação americana estão paralisados.
No domingo , Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin telefonaram ao presidente norte-americano Donald Trump no dia em que ele completou 80 anos. O líder ucraniano afirmou no X que discutiu “medidas capazes de contribuir para estabelecer a paz já”. O Kremlin informou que a conversa entre Putin e Trump tratou “principalmente” das negociações de paz com o Irã.
O assessor do Kremlin, Iuri Ushakov, disse à imprensa que ficou “acertado” que os emissários norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner “retornariam em breve à Rússia”. Zelensky também se reuniu com Witkoff e Kushner no dia 8 de junho, destacando a importância de “dar novo impulso à diplomacia”.