Em meio a debates sobre alianças e governabilidade, autor esclarece críticas, defende reforma política e reforça estratégia do campo democrático antes do carnaval.
Por Luciano Siqueira – de Brasília
Frequente é o feedback deste breve comentário semanal aqui na coluna. Há anos por e-mail; depois pelo WhatsApp.
A propósito da coluna da quinta-feira passada, Após o carnaval tudo pode acontecer, pelo menos 35 mensagens ensejam quatro esclarecimentos:

Eleições
Não condeno a caleidoscópica fisionomia das alianças eleitorais em plano estadual, frequentemente dissonante das composições em torno das candidaturas à presidência da República. Registrei como fato recorrente, dado de realidade política — que se relaciona, sobretudo, com a imensa diversidade regional, econômica social, cultural e política, que marca a sociedade brasileira.
Mencionei a predominância de partidos não programáticos e, portanto, plenos de interesses regionais, locais e de pequenos grupos como fato negativo, comparando-se a situação brasileira com a de inúmeros países praticantes da “democracia ocidental”. Significa atraso político, não contribui para a necessária governabilidade e prejudica a elevação do nível de consciência do eleitorado. Requer uma reforma política efetivamente democrática — bandeira que o PCdoB e outros partidos situados à esquerda defendem há muito tempo.
Salientei também (várias mensagens que recebi tratam disso) a importância crucial de se elegerem senadores e deputados federais sintonizados com as bandeiras do campo democrático e progressista, condição necessária para o êxito do próximo governo Lula e, inclusive, para uma possível retomada adiante da luta pela reforma política.
Por fim, considerando preocupações reveladas por boa parte dos leitores que me abordaram, reafirmo que é possível avançar em ambiente político e ideológico de extrema heterogeneidade mediante postura tática que equilibre, dialeticamente, a defesa de proposições próprias com a aglutinação de variadas correntes e partidos em torno de uma plataforma tática comum, consentânea com o horizonte político possível. Mais: isolar, enfraquecer e derrotar o adversário principal é o que se impõe. Implica alianças em diversos níveis de convergência — até para neutralizar, se possível, grupos que possam se desgarrar do lado de lá, mesmo sem plena adesão às nossas proposições. A vitória depende da correlação de forças.
Demais, a quem interessar possa esclareço que nos dias de Momo não percorrerei as ladeiras de Olinda nem as ruas do Recife Antigo, como já fiz no passado. Tenho um encontro marcado com a boa leitura em nossa modesta biblioteca e na rede da varanda do apartamento.
A vocês que cairão na folia, desejo um ótimo carnaval. Evoé!
Luciano Siqueira, é médico membro do Comitê Central do PCdoB e secretário nacional de Relações Institucionais, Gestão e Políticas Públicas do partido, foi deputado estadual em Pernambuco e vice-prefeito do Recife.
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