As negociações entre PSB e PT, segundo apurou o diário conservador ‘Valor Econômico’, nesta segunda-feira, buscam unificar os palanques nos Estados.
Por Redação – de Brasília
Com a escolha da vaga de vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definida para o atual ocupante do cargo, Geraldo Alckmin (PSB), aumenta a influência do partido aliado junto ao PT para um esforço ainda maior de integração dos dois eleitorados como forma de reforçar a campanha eleitoral que se aproxima. Ambas as legendas têm ampliado os acordos estaduais, por todo o país, para sustentar a parceria vitoriosa na última eleição majoritária.

As negociações entre PSB e PT, segundo apurou o diário conservador ‘Valor Econômico’, nesta segunda-feira, buscam unificar os palanques nos Estados. Nesse sentido, o PSB apoiará candidatos do PT a governador em seis unidades da federação, enquanto o PT acompanha os projetos do PSB em quatro Estados. Em outras seis unidades, o entendimento tem sido buscado por líderes dos dois partidos.
Há, no entanto, quatro Estados em que PSB e PT precisam superar barreiras políticas mais elevadas. São eles o Espírito Santo, Paraná, Distrito Federal (DF) e Maranhão, segundo fontes petistas e socialistas disseram ao jornal. A busca por soluções negociadas tem animado os líderes que integram o diálogo.
Convergência
No Espírito Santo, a tendência atual é que o PSB apoie Ricardo Ferraço, do MDB, enquanto o PT mantenha a candidatura própria de Helder Salomão. Ainda assim, o partido de Alckmin discute internamente abrir mão desse apoio a Ferraço, justamente para preservar o entendimento nacional com os petistas.
No Paraná, onde Sérgio Moro (PL) — arquirrival do presidente Lula — lidera as intenções de voto para o governo do Estado, o quadro também se mostra mais complexo. O PT tende apoiar Requião Filho (PDT), enquanto o PSB resiste à composição da chapa, embora possa permanecer neutro na disputa pelo governo. Para o Senado, todavia, a expectativa é de apoio à candidatura da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT).
Para o DF, porém, o quadro é ainda mais complexo. O PSB trabalha com a possibilidade de candidatura própria de Ricardo Cappelli, enquanto o PT já anunciou Leandro Grass. Diante da estrutura de cada um dos candidatos, a disputa na capital federal poderá se tornar o único caso em que os aliados se distanciem, ao menos no primeiro turno.
Camarão
Os petistas e socialistas maranhenses, por sua vez, formam o quadro mais difícil de ser resolvido. A disputa, que ocorre alguns decibéis acima dos demais Estados, coloca o governador Carlos Brandão, sem partido, e Felipe Camarão, do PT, eleito vice na chapa de Brandão em 2022, em trincheiras opostas. Hoje, o PSB discute a possibilidade de apoiar Eduardo Braide, do PSD, mas reconhece internamente que poderá rever essa posição caso o PT confirme apoio a Camarão..
A construção do alinhamento entre PSB e PT, conforme apurou o diário, tem sido trabalhada há meses, antes mesmo da confirmação definitiva da permanência de Alckmin na Vice-presidência. O principal articulador da integração entre as legendas, por parte do PSB, conta com apoio completo por parte do presidente Lula. No lado petista, mais ainda.
Os presidentes das duas legendas, João Campos, pelo PSB, e Edinho Silva, pelo PT contam, segundo fontes de ambos os lados, têm total confiança do candidato de ambos a mais um mandato. As conversas, assim, desenvolvem-se continuamente, na busca de um palanque nacional sólido para Lula. Nesse processo, o PSB assumiu o compromisso de não se alinhar ao campo de Flávio Bolsonaro e enfrentar as forças de ultradireita para avançar no projeto do presidente Lula.