Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Presidente da Bolívia reduz próprio salário em meio a protestos

Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, reduz seu salário e o de ministros em resposta a protestos. A crise política se intensifica com escassez de alimentos e combustíveis.

Segunda, 25 de Maio de 2026 às 15:06, por: CdB

Os cortes salariais ocorrem no ‌momento em que a Bolívia ‌entra em ⁠sua ⁠quarta semana de agitação política e social.

Por Redação, com Reuters e RFI – de La Paz, Caracas

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse nesta segunda-feira que cortará seu salário e o de seus ministros pela metade em ⁠meio a uma crescente crise ‌política marcada por protestos e bloqueios de estradas exigindo ‌sua renúncia.

Presidente da Bolívia reduz próprio salário em meio a protestos | O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz

Em um ‌evento em Sucre, a ⁠capital constitucional do país, Paz disse que os cortes salariais demonstram o “compromisso do governo com o país”.

Os cortes salariais ocorrem no ‌momento em que a Bolívia ‌entra em ⁠sua ⁠quarta semana de agitação política e social. ⁠

Os ‌protestos causaram problemas ‌crescentes na cadeia de suprimentos nas cidades de La Paz e El Alto, onde ⁠a grave escassez de alimentos, combustível e medicamentos está atingindo mercados, hospitais e postos de gasolina.

Os ‌manifestantes estão pressionando o governo centrista de Paz a reverter as ⁠medidas de austeridade e a lidar com o aumento do custo de vida.

Paz, que assumiu o cargo em novembro e herdou uma economia em turbulência, defendeu os cortes de gastos e a redução dos subsídios aos combustíveis como necessários para estabilizar as finanças públicas.

Venezuela

Quase cinco meses após a operação militar de 3 de janeiro, aeronaves dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos voltaram a sobrevoar Caracas, desta vez com autorização do governo venezuelano. Na quinta-feira, o governo anunciou que havia autorizado a embaixada norte-americana a realizar um exercício de evacuação para casos de emergência médica e contingências consideradas catastróficas.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, a operação incluiria o sobrevoo de duas aeronaves militares norte-americanas sobre a capital venezuelana e o pouso na embaixada dos Estados Unidos.

O anúncio foi transmitido pela televisão estatal venezuelana, e um comunicado oficial foi publicado nas redes sociais do chanceler. No dia seguinte, sexta-feira, a postagem foi apagada sem explicações oficiais. Ainda assim, o exercício militar foi mantido e ocorreu no sábado.

Uma das principais autoridades a participar da atividade foi o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, que chegou a Caracas a bordo de uma das aeronaves usadas na operação. Segundo a embaixada dos Estados Unidos em Caracas, Donovan participou de reuniões com representantes do governo interino e se reuniu com funcionários da representação diplomática norte-americana.

A embaixada dos Estados Unidos na Venezuela foi reaberta após a operação militar que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, atualmente presos nos Estados Unidos.

A operação provocou reações de diferentes setores da esquerda venezuelana. Pelo menos duas manifestações aconteceram em Caracas contra o exercício realizado pelos Estados Unidos. Uma delas, organizada pelo Partido Comunista da Venezuela, reuniu organizações de esquerda críticas ao chavismo e ao governo de Delcy Rodríguez.

Em nota, o PCV afirmou que a operação representa “uma nova expressão da condição de subordinação política e militar à qual a Venezuela foi submetida depois da intervenção de 3 de janeiro”. O partido também fez críticas diretas à presidente venezuelana e afirmou que “a atual administração liderada por Delcy Rodríguez não só foi incapaz de defender a integridade nacional, como atuou como garantidora dos interesses econômicos de Washington”.

Ainda no sábado, movimentos sociais ligados ao chavismo também foram às ruas. Os manifestantes evitaram ataques ao governo e direcionaram as críticas aos Estados Unidos. A organização Alba Movimentos, que liderou a manifestação, classificou o exercício militar como uma ação “intimidatória” e uma “ameaça à soberania nacional por parte do imperialismo norte-americano”. O grupo afirma que poupou o governo de Delcy Rodríguez por entender que a administração interina atua sob forte pressão militar dos Estados Unidos.

Representantes do governo interino evitaram fazer comentários diretos sobre o exercício militar, mas algumas figuras importantes do chavismo publicaram mensagens nas redes sociais em defesa da estabilidade política e da recuperação econômica do país.

O deputado Jorge Arreaza, nome forte do governo Delcy, disse que a prioridade, neste momento, deve ser a retomada da economia venezuelana e a manutenção da paz. “Conseguir o fim das sanções para recuperar a economia são consensos essenciais de todos os setores políticos”, disse em uma publicação no X. Arreaza afirmou ainda que os grupos que apostam no conflito ficam “fora do jogo”.

O ministro da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, disse que “os republicanos precisam atuar com responsabilidade pela existência e pela manutenção da pátria”.

Já a deputada e ex-ministra chavista Iris Varela afirmou que “o povo venezuelano jamais vai se deixar esmagar por qualquer império”. Ela também repetiu uma frase popularizada pelo ex-presidente Hugo Chávez: “Vão se foder, ianques de merda”, escreveu em uma publicação no X. As declarações foram publicadas ao longo do fim de semana, após a realização do exercício militar.

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