Rio de Janeiro, 17 de Janeiro de 2026

Portugal vai às urnas para eleger presidente, em disputa apertada

Os eleitores portugueses vão às urnas para escolher o novo presidente, com possibilidade de segundo turno em 8 de fevereiro. Conheça os candidatos e suas propostas.

Sábado, 17 de Janeiro de 2026 às 16:53, por: CdB

Caso nenhum postulante ao Palácio Nacional de Belém consiga mais de 50% dos votos, está prevista uma nova eleição para o dia 8 de fevereiro.

Por Redação, com Reuters – de Lisboa

Os eleitores portugueses votam, neste domingo, na eleição do presidente do país em uma disputa que, segundo as pesquisas de opinião, chega equilibrada às urnas entre ao menos três candidatos.

Portugal vai às urnas para eleger presidente, em disputa apertada | Portugal escolhe o presidente, mas eleição pode ter um segundo turno
Portugal escolhe o presidente, mas eleição pode ter um segundo turno

Caso nenhum postulante ao Palácio Nacional de Belém consiga mais de 50% dos votos, está prevista uma nova eleição para o dia 8 de fevereiro. Se isso acontecer, será a primeira vez que ocorrerá um segundo turno no país, nas últimas quatro décadas, o que reflete a fragmentação do panorama político lusitano.

Embora a Presidência portuguesa seja um cargo em grande parte “cerimonial”, detém um peso político significativo em momentos de crise, uma vez que o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento, destituir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar legislações.

 

Mandato

O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, está no cargo desde 2016 e fica constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo de cinco anos. Sousa convocou eleições antecipadas três vezes, em 2021, 2023 e 2025.

Os eleitores votam em um único candidato e, se nenhum deles obtiver 50%, os dois mais votados passam para o segundo turno. Qualquer cidadão português com mais de 35 anos pode se candidatar, desde que consiga pelo menos 7,5 mil assinaturas de apoio e que a candidatura e as assinaturas sejam aprovadas pelo Tribunal Constitucional.

As urnas foram abertas às 8 horas e permaneceram assim até às 19 horas, no horário de Portugal (4h às 15h de Brasília). Depois do horário de fechamento, somente poderão votar os eleitores que já estiverem nas chamadas assembleias de voto.

 

Candidatos

Concorrem ao cargo André Ventura, de 42 anos, líder e fundador do partido de ultradireita “Chega” e ex-comentarista esportivo de TV, o que o levou a se tornar a segunda maior força parlamentar em 2025, com uma plataforma de combate à corrupção e à imigração.

Analistas costumam descrever o partido “Chega” como o “show de um homem só” de Ventura, uma visão corroborada pelo fato dele estar concorrendo à presidência depois de afirmar em diversas ocasiões que deseja ser primeiro-ministro.

João Cotrim de Figueiredo, de 64 anos, é integrante do Parlamento Europeu pelo partido pró-mercado Iniciativa Liberal, que ele próprio liderou, defendendo reduções de impostos e maior flexibilidade para as empresas contratarem e demitirem funcionários.

Na segunda-feira, sua campanha sofreu um contratempo quando uma ex-assessora o acusou de agressão sexual em uma publicação online que já foi apagada. Cotrim de Figueiredo negou prontamente as acusações, classificando-as como uma tentativa de minar sua candidatura.

 

Socialista

Antonio José Seguro, de 63 anos, é um ex-líder do Partido Socialista que abandonou a vida política ativa após perder a liderança em 2014 para o futuro primeiro-ministro António Costa.

Seguro, que anunciou sua candidatura à presidência em junho passado, se apresenta como o candidato de uma esquerda “moderna e moderada” para combater uma extrema direita populista cada vez mais influente.

Henrique Gouveia é um Almirante reformado, de 65 anos, antigo chefe da Marinha Portuguesa que ganhou destaque em 2021, quando foi encarregado da campanha de vacinação contra a covid-19 no país, elogiada como uma das mais rápidas e eficientes do mundo.

Único candidato sem experiência política prévia, ele afirma que pode ser uma figura unificadora em meio à crescente fragmentação política e “guiar o país com segurança e confiança”.

 

Centro-direita

E Luís Márquez Mendes, de 68 anos, é apoiado pelo principal partido governante, o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, que liderou brevemente entre 2005 e 2007 antes de se tornar comentador político na televisão.

Ele afirma que Portugal precisa de “ambição” e promete desafiar o que chama de status quo “conformista, resignado, deprimido e complacente”.

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